China traduz Darcy Ribeiro e transforma "O Povo Brasileiro" em ponte estratégica de reflexão entre duas civilizações
Pensar o Brasil é, inevitavelmente, atravessar a obra de Darcy Ribeiro e retornar ao núcleo incandescente de O Povo Brasileiro. Ali, não há concessões à superficialidade. O que se revela é um país forjado na tensão, no encontro e no desencontro de matrizes que jamais se harmonizaram plenamente, mas que, ainda assim, criaram algo novo, irrepetível. O brasileiro não nasce pronto. Ele é processo, conflito e reinvenção.
Ao dialogar com interpretações como as de Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, Darcy não apenas sintetiza tradições. Ele as tensiona. Ele desmonta a aparência conciliadora da história nacional e expõe sua ossatura. Se houve um sentido histórico na formação do Brasil, este não foi o da construção autônoma, mas o da exploração orientada para fora, como um corpo voltado a servir interesses que nunca foram seus. Se houve mestiçagem, ela não dissolveu a violência,........
