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Se não saiu na Globo, aconteceu

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02.10.2026

“Se não saiu no Jornal Nacional, não aconteceu.” 

A frase é atribuída a Antônio Carlos Magalhães, que conhecia como poucos o poder político da Rede Globo. A máxima de ACM atravessou décadas porque resumia uma época. 

O Jornal Nacional não apenas noticiava acontecimentos. Selecionava, hierarquizava e enquadrava diariamente as notícias que chegavam a dezenas de milhões de brasileiros. Para grande parte do país, ajudava a determinar quais e como os acontecimentos mereciam existir.  

Leonel Brizola, adversário histórico da Globo, também ficou associado a outra frase: 

“Se a Globo for a favor, sou contra. Se for contra, sou a favor.” 

ACM e Brizola estavam em campos políticos diferentes. Mas as duas frases diziam, por caminhos opostos, essencialmente a mesma coisa: 

a Globo tinha poder. 

Poder para transformar notícia em acontecimento nacional. Para ampliar ou reduzir personagens. Para definir a agenda do dia seguinte. Poder suficiente para que aliados quisessem estar ao seu lado e adversários precisassem enfrentá-la. 

Na noite de 1º de outubro, esse poder encontrou um limite que talvez nenhum dos dois imaginasse. 

Uma eleição sem a Globo 

Faltavam três dias para o primeiro turno. 

A Globo havia reservado seu horário nobre para o último debate presidencial. Pela tradição construída durante........

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