Se não saiu na Globo, aconteceu
“Se não saiu no Jornal Nacional, não aconteceu.”
A frase é atribuída a Antônio Carlos Magalhães, que conhecia como poucos o poder político da Rede Globo. A máxima de ACM atravessou décadas porque resumia uma época.
O Jornal Nacional não apenas noticiava acontecimentos. Selecionava, hierarquizava e enquadrava diariamente as notícias que chegavam a dezenas de milhões de brasileiros. Para grande parte do país, ajudava a determinar quais e como os acontecimentos mereciam existir.
Leonel Brizola, adversário histórico da Globo, também ficou associado a outra frase:
“Se a Globo for a favor, sou contra. Se for contra, sou a favor.”
ACM e Brizola estavam em campos políticos diferentes. Mas as duas frases diziam, por caminhos opostos, essencialmente a mesma coisa:
a Globo tinha poder.
Poder para transformar notícia em acontecimento nacional. Para ampliar ou reduzir personagens. Para definir a agenda do dia seguinte. Poder suficiente para que aliados quisessem estar ao seu lado e adversários precisassem enfrentá-la.
Na noite de 1º de outubro, esse poder encontrou um limite que talvez nenhum dos dois imaginasse.
Uma eleição sem a Globo
Faltavam três dias para o primeiro turno.
A Globo havia reservado seu horário nobre para o último debate presidencial. Pela tradição construída durante........
