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Parcelamento brasileiro

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13.04.2026

O modelo brasileiro de crédito ao consumidor tem uma característica muito particular: parcelamento sem juros em até 10 ou 12 vezes. Esse sistema funciona porque os custos financeiros ficam embutidos nas taxas cobradas dos comerciantes e nos preços dos produtos. Logo, quem paga à vista subsidia quem paga parcelado.

O Pix pode alterar esse modelo de fixação dos preços. Se o Pix continuar crescendo, provavelmente ocorrerá uma mudança gradual no padrão de precificação na seguinte direção: um meio de pagamento como ele possibilitaria menor preço relativo. O crédito à vista, pago na data de aniversário (até o máximo de 40 dias), ofereceria um “preço intermediário”. O crédito parcelado teria um preço maior. Desse modo, o preço passaria a refletir mais diretamente o custo do meio de pagamento utilizado.

Essa mudança, provavelmente, será lenta. Apesar da pressão competitiva do Pix, o parcelamento ainda é muito importante no Brasil.

Isso ocorre porque ele funciona como instrumento de crédito ao consumidor e mecanismo de gestão de renda em ambiente de juros altos. Por essa razão, o cartão de crédito continuará relevante.

O mais provável é um sistema híbrido em uma transição lenta e gradual, com o Pix dominando pagamentos imediatos e os cartões mantendo papel central no financiamento do consumo.

O modelo brasileiro de parcelamento “sem juros” no cartão de crédito é uma peculiaridade institucional do sistema de pagamentos do país. Ele conseguiu funcionar por décadas mesmo com juros muito elevados porque resulta da interação de três fatores históricos: a herança inflacionária, a estrutura do sistema bancário e a estratégia comercial do varejo. E se adequou ao ambiente com muitos consumidores pobres.

Durante as décadas de 1980 e início dos anos 1990, o Brasil viveu inflação muito alta. Nesse ambiente, consumidores buscavam antecipar compras antes de os preços subirem, e comerciantes buscavam garantir vendas imediatas. O parcelamento tornou-se um mecanismo informal de indexação do consumo. O consumidor travava o preço nominal, enquanto os salários e preços continuavam a subir.

Após o Plano Real (1994), a inflação caiu, mas o hábito institucional permaneceu. A herança da........

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