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Do controle da IA aos robôs quase humanos: o dilema do amor artificial na China

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31.07.2026

Há uma cena em Her, filme lançado por Spike Jonze em 2013, em que Theodore caminha por uma praia enquanto conversa com Samantha. Ela conhece seus medos, compreende seus silêncios e sempre encontra a palavra certa para confortá-lo. Contada dessa forma, pareceria apenas uma história de amor, mas há um detalhe fundamental: o espectador nunca vê o rosto de Samantha. Apenas a escuta, porque ela é uma inteligência artificial. Essa limitação tecnológica acaba ficando em segundo plano diante do aspecto mais inquietante do filme: a revelação de até que ponto um algoritmo poderia ocupar, com desconcertante naturalidade, o espaço de uma relação humana.

Treze anos depois, essa questão deixou de pertencer exclusivamente à ficção científica. Quase ao mesmo tempo em que a empresa chinesa UBTech apresentou um dos robôs humanoides de companhia mais ambiciosos do país, Pequim começou a aplicar uma rígida regulamentação sobre os vínculos emocionais dos usuários com a inteligência artificial.

A nova norma — elaborada pela Administração do Ciberespaço da China (CAC), em conjunto com outros quatro órgãos — estabelece restrições para plataformas capazes de imitar personalidades, emoções e estilos de conversa humanos; obriga as empresas a detectar sinais de dependência psicológica e exige alertas quando o tempo de interação se tornar excessivo. No caso de menores de idade, impõe limites aos sistemas que simulam papéis de pai e mãe, além de restringir conteúdos que possam induzir à automutilação, comportamentos perigosos ou estados emocionais extremos.

Quando a regulamentação entrou em vigor, em 15 de julho, os chamados “namorados de IA” já haviam deixado de ser uma extravagância tecnológica. Aplicativos capazes de recriar a voz de um familiar falecido, interpretar um personagem fictício ou se transformar em um interlocutor disponível 24 horas por dia já haviam conquistado milhões de usuários, especialmente entre os jovens. O fenômeno abriu um mercado que prometia companhia permanente, conversas personalizadas e relacionamentos sem conflitos, cenário que passou a preocupar o governo chinês.

Poucos dias antes da entrada em vigor das novas regras ocorreu um fato que deu ainda mais atualidade ao debate. A........

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