O passado te condena, não adianta declarar: “página virada”
Há muitos interesses em jogo no processo eleitoral, oriundos dos diferentes vértices da sociedade reverberados por um personagem poderosamente ativo na formação de opinião, o denominado PIG (Partido da Imprensa Golpista), ou mídia corporativa, que instrumentaliza armações e pautas para defender os interesses que representa, os quais, comprovadamente, não correspondem aos da maioria da população, mas a de uma parcela restrita, o 1% da população que concentra a maioria da renda gerada no país. Não é necessário dizer mais nada para deduzir de que lado está a Rede Globo, o Estadão, a Folha de São Paulo, a revista Veja e os demais veículos integrantes do PIG.
É nessa dinâmica de disputa pela formação da opinião pública que as pesquisas eleitorais ganham especial relevância, tanto pelo volume com que são divulgadas quanto pela capacidade de influenciar o eleitorado. Os resultados das pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, divulgados semanalmente por diversos institutos, oscilam entre empate técnico e pequenas vantagens entre os dois candidatos mais bem posicionados: o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Diante dessa sequência ininterrupta de levantamentos realizados com antecedência em relação ao pleito de 4 de outubro, cabe perguntar até que ponto essa multiplicidade de dados prematuros é capaz de antecipar a escolha efetiva do eleitor, ou em que medida as pesquisas acabam influenciando o discurso político e a opinião do eleitorado.
Essa questão ganha ainda mais peso diante da dimensão e da complexidade do eleitorado brasileiro. Para as eleições deste ano, mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar, o que representa um acréscimo de quase 2,3 milhões de eleitores (1,46%) em relação a 2022. A distribuição geográfica desse contingente revela uma forte concentração regional. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE, 2026) apontam que o estado de São Paulo continua como o maior colégio eleitoral do país, com 34.104.226 eleitores (21,48% do total), seguido por Minas Gerais, com 16.377.659 (10,32%), Rio de Janeiro, com 12.857.000 (8,10%), Bahia, com 11.321.005 (7,13%) e Paraná, com 8.609.026 (5,42%). Juntas, essas cinco unidades federativas concentram 83.268.916 votantes, ou seja, 52,45% de todo o eleitorado nacional.
Esses números, no entanto, precisam ser lidos com cautela. Uma vantagem estreita em um grande colégio eleitoral, de 51% a 49%, por exemplo, produz uma diferença absoluta de votos relativamente pequena e pode ser compensada por uma vantagem mais ampla em outras regiões. Uma margem de 70% a 30% no Nordeste pode alterar significativamente o resultado nacional. Contudo, Minas Gerais merece atenção especial. Desde a redemocratização, o estado tem acompanhado o candidato que acaba vencendo a eleição presidencial no país, o que lhe confere relevância como indicador do comportamento eleitoral nacional, fenômeno documentado em análises históricas e reforçado pela diversidade socioeconômica do estado.
Liderar nos maiores colégios eleitorais é importante, mas não garante a vitória. O que decide a eleição é o saldo absoluto de votos recebidos em todo o território nacional e a capacidade de obter um desempenho consistente nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. São variáveis que permanecem abertas, podendo mudar instantaneamente a depender dos fatos ou das mentiras que rondam o espectro eleitoral. Diante disso, pesquisas realizadas antes da votação devem ser vistas como registros de um momento e não como antecipações definitivas do resultado das urnas.
O contraste, por exemplo, entre as estimativas de intenção de voto e a quantidade de pessoas que compareceu nos atos de largada das campanhas dos candidatos mais cotados na corrida eleitoral, oferece, em certa medida, a disposição de apoio dos eleitores a esses candidatos. Embora dados indicavam que o parlamentar Flávio Bolsonaro concentrava aproximadamente um terço das preferências do eleitorado fluminense, em um universo de cerca de 4,9 milhões de votantes na capital, o evento que marcou o início de sua campanha na Praia de Copacabana flopou, não atingindo sequer uma fração mínima do eleitorado teórico. A discrepância não anula o valor estatístico das pesquisas, mas evidencia que intenção declarada em sondagens não se traduz automaticamente em engajamento presencial ou em voto consolidado.
Essa diferença entre apoio declarado e........
