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Trump como método: a política da tensão permanente

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02.03.2026

Há algo de profundamente calculado e perigoso no fato de Donald Trump estar, literalmente, todos os dias nas capas dos jornais e noticiários pelo mundo. Não se trata apenas de visibilidade. Trata-se de método. A presença constante não é um efeito colateral do seu estilo político: é o próprio instrumento de poder.Trump governa pela saturação.

A lógica é simples: manter o ambiente público em estado contínuo de alerta, de conflito e de urgência. Quando tudo parece excepcional, quando cada dia traz uma nova crise, uma nova ameaça ou um novo gesto “disruptivo”, o debate público deixa de ser deliberativo e passa a ser reativo. A política deixa de ser reflexão e se torna sobrevivência. E é nesse terreno que lideranças autoritárias prosperam.

Essa saturação não opera apenas no plano institucional ou diplomático. Ela atua diretamente na formação da opinião pública, que não deve ser entendida como a soma espontânea das opiniões individuais, mas como um processo socialmente construído de percepção da realidade política. A opinião pública se forma a partir da repetição de temas, da dramatização de conflitos e da definição do que é percebido como urgente.

Quem controla o ritmo da crise molda o horizonte do debate.

Recentemente, a derrota de Trump na Suprema Corte em relação ao chamado “tarifaço” representou um raro momento de contenção institucional do Poder Executivo. A decisão reafirmou limites ao unilateralismo econômico do governo. Em condições normais, esse episódio abriria espaço para um debate sobre legalidade, protecionismo e equilíbrio entre poderes.

Mas a normalidade não é o terreno em que o trumpismo opera.

Na sequência do revés judicial, a escalada militar contra alvos iranianos, conduzida pelos Estados Unidos em coordenação com Israel no último dia 28, rapidamente reorientou o foco do debate público. O deslocamento do foco, do limite institucional ao conflito externo, não é acidental. Trata-se de uma lógica clássica: quando o poder é contido internamente, projeta-se força externamente.

Mas os desdobramentos recentes indicam que não se trata apenas de projeção de força.

A ofensiva conjunta atingiu não apenas instalações estratégicas, mas também o núcleo da liderança política iraniana, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, cuja morte foi confirmada........

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