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“JK foi assassinado pelos homens de 64”

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16.05.2026

No dia 8 de agosto de 1976, Serafim Jardim encontrou-se com Juscelino Kubitschek, de quem era secretário particular, no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Nessa entrevista exclusiva ao programa “Cessar-fogo”, da TV 247, ele conta que, nesse dia, ouviu pela terceira vez do ex-presidente a frase “estão querendo me matar”.

SERAFIM: Eu, Serafim Mello Jardim, nasci em Diamantina em 1935. Quem era muito amigo do JK era meu pai, que também nasceu em 1902. Eles fizeram a primeira comunhão juntas, tiveram junto no seminário de Diamantina e durante o tempo em que Juscelino foi médico, ele entrou na Medicina, eles moravam junto nas desconfortáveis pensões da capital mineira. E morava JK, Zé Maria Alckmin, Odilon Peres, meu pai José Jardim, Tales da Rocha Viana, e os irmãos Divaldo e o Lemar Lacerda de Oliveira, que eram primos do JK. Então, eu tive convivência com Juscelino desde criança, porque com sete ou oito anos, quando ele, como prefeito de Belo Horizonte, ele visitava Diamantina, não deixava de ir na casa dos meus pais. E eu brigava com meus irmãos para abrir a porta para recebê-lo. Então, desde os sete, oito anos eu já era um admirador do JK. Mas passei a conviver com ele a partir de 1967, quando ele voltou do exílio. E aí fiquei nove anos com ele. Estou há 50 anos ao lado dele, com nove e 50 anos depois da morte, são 59 anos ao lado do presidente JK.

EU: Então, Serafim, quando ele voltou do exílio, depois de algum tempo, ele começa a se reunir com João Goulart, com Carlos Lacerda. Eles querem formar uma Frente Ampla para que a ditadura acabe. Nessa época, você estava ao lado dele?

SERAFIM: Quem olhava mais essa parte para ele era o Carlos Murilo, que foi deputado federal e primo dele e primo meu também. E é muito estranho que em 272 dias morreram Juscelino, Jango e Lacerda, os três líderes da Frente Ampla, e só agora, depois de 50 anos, que chegaram à conclusão de que Juscelino foi assassinado. Mas eu, veja bem, eu há 30 anos venho dizendo que o Juscelino foi assassinado. Quem reabriu o caso da morte dele fui eu, em 1996. Portanto, eu sempre estive dizendo durante esses 30 anos que o presidente JK foi assassinado. Cassaram ele, exilaram ele e mataram ele.

EU: Você estava com Juscelino no dia 22 de agosto de 1996? Ou qual foi a última vez em que você esteve com ele?

SERAFIM: Não, nesse dia eu não estava com ele. No dia 7, quinze dias antes do acidente em que o mataram, eu ia pra fazenda para estar com ele, mas acabei não indo, e recebo, era mais ou menos às cinco horas da tarde, um telefonema do colunista de “O Estado de Minas”, o Wilson Frade, me fazendo a seguinte pergunta, “ô Serafim, você tem alguma notícia do JK?” Eu disse para ele, a notícia que eu tenho é que ele está na fazenda. E ele então disse para mim, “não, eu acabei de receber, não sei se foi do ‘Estado’ ou da ‘Folha de São Paulo’, que ele morreu num acidente de carro”. Eu fiquei apavorado e liguei para Brasília, para o meu filho mais velho, o Marco Antônio. E ele então foi até a fazenda de Luiziânia. Às oito horas da noite ele ligou para mim dizendo que o presidente estava vivo. Pois bem, nessa noite morreu um grande amigo do JK, Geraldo Vasconcelos. E era Dia dos Pais, no dia 8 eu estava almoçando com meu pai quando o telefone tocou. Era JK perguntando se eu podia apanhá-lo no aeroporto que ele queria vir para o enterro do Geraldo. Quando eu o peguei no aeroporto disse pra ele, “presidente, o senhor ontem nos passou um susto”. Ele virou para mim e falou assim, “é, estão querendo me matar, mas ainda não me mataram não”. E continuamos, ele começou a contar os casos, inclusive brincando “sou o morto vivo”. E isso foi no dia 7 de agosto. No dia 22, quinze dias depois, matam ele.

EU: Essa conversa no dia 7, em que ele diz estão querendo me matar, ele entrou em detalhes ou só ficou nessa........

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