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“Fidel ficou com inveja de Collor”

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21.03.2026

EU: Sejam bem-vindos ao programa Cessar Fogo. Como vocês sabem, eu só entrevisto amigos aqui nesse programa. Pessoas com quem me relacionei no passado, de alguma forma, profissionalmente, etc. E, claro, pessoas que têm o que dizer, pessoas inteligentes, bem-humoradas. Felizmente, não tenho amigos burros. E o meu convidado de hoje… ele disse que tem 80 anos, eu duvido, só mostrando a certidão de nascimento. Mas ele é o verdadeiro Xandão, viu? É o verdadeiro Xandão. Ele se chama Alexandre Machado, um jornalista brilhante. e jovem, eu duvido, eu não dou 80 anos para ele nunca, mas ele garante que tem 80 anos, e que se chama Xandão, ele é o verdadeiro Xandão. Alexandre, então, para começar, como é que você virou o Xandão? Você é o primeiro Xandão, não tem nada que ver com o outro lá.

ALEXANDRE: Olha, é o seguinte, eu fui o redator-chefe da Playboy. Tivemos uma jovem que era uma modelo, que trabalhava para a gente, que posava para a gente, em matérias, hotéis de charme, e que era uma moça chamada Xuxa. E um dia ela veio me procurar na redação, eu não estava lá, eu estava fazendo outra coisa, e ela me deixou um bilhete me chamando de Xandão. Ela nunca tinha me chamado de Xandão.  E a Xuxa, naquela época, já era um monumento, já era uma coisa... Ela passava e ficava todo mundo meio sem ar. E aí, quando eu cheguei na redação, eu tinha virado Xandão, porque viram o bilhete. Na minha mesa estava lá o bilhete dela. E aí, quando eu cheguei, estava lá, Xandão, Xandão, Xandão. Eu falei, Xandão, o quê? E aí ficou uma parte dos meus companheiros de profissão que me chamam de Xandão. Mas é muito antes dessa história agora que não tenho nada a ver com...

Esses nomes Xandão, Alexandre, são perigosos, porque... Ah, Alexandre, aí já resolveu, já bloqueou. Mas não é você que bloqueou nada do Daniel Vorcaro. Sabe que estou lendo a história do Daniel Vorcaro? É interessante, porque a família dele toda está envolvida em golpes, viu? A mãe, a irmã, o pai. E aí tem um primo dele, que é um pai de santo.

EU: É impressionante como o país não tem anticorpos para se livrar dessas pessoas, porque ele estava na cara, a vocação prioritária dele estava na cara dele. numa situação delicadíssima, né? É impressionante, Alexandre, porque em dois mil e quatorze, ele e o pai iam construir o maior hotel de Belo Horizonte, tipo Trump, sabe? Eles têm esse lance do Trump. Trinta e sete andares, não sei quantas suítes, era a Copa do Mundo, entendeu? Duzentos milhões de investimento, parou tudo. em dois mil e quatorze o cara já dava um golpe, em dois mil e dezesseis ele comprou um banco, esse banco Máxima, que já estava quebrado e também acusado de fraudes, mas o Banco Central autorizou o Daniel Horcário, que já não tinha reputação ilibada, a comprar esse banco também sem nenhuma reputação ilibada. Aí, porra, passou três anos, ele virou um bilionário. Como é que um cara desse... Porque banqueiro é tão duro, né? Você já viu banqueiro gastar milhões numa festa? Você imagina o Olavo Setúbal? Vou gastar 1 milhão na festa do meu filho? Porra, jamais. Banqueiro é pão duro, né?

ALEXANDRE: A gente sabe algumas pessoas que foram agraciadas por parte desse dinheiro desviado. Mas é isso. Quer dizer, aquela festa dele de noivado lá na Itália, aquela coisa cafona. Que coisa horrorosa. Artistas ao vivo. Era uma coisa inacreditável.

EU: Bom... Eu fiquei pasmo, porque um cara desse, marinheiro de primeira viagem, ele ganha confiança da elite política e jurídica do país. E é saudado, é festejado. Como é que esses caras não sabiam que o cara era um golpista? Falava na cara que era um golpista.

ALEXANDRE: Mas esses caras estavam ganhando uma parte desses 60 bilhões. Eles estavam no rachuncho, né? Quer dizer, estavam... Se ele roubou os 60 bilhões, deve ter colocado não sei quanto, não conheço esse tipo de mecanismo aí, mas um tanto deve estar escondido, deve estar no seguro em algum lugar.

EU: Sabe como é que era dobradinha? Era com o pai dele. Ele pegava grana e o pai comprava mansão em Orlando por... Duzentos milhões.

ALEXANDRE: Não, mas deve ter também em paraíso fiscal, deve ter um monte de dinheiro. Se tiramos que ele se satisfaça, que seja uma pessoa modesta, se satisfaça, por exemplo, com uns dez bilhões de reais. Está certo? Ele tem cinquenta para gastar. E é isso que ele fez. É impressionante como... no Brasil, consegue acontecer essas coisas. O cara virou...

EU: Você viu as mensagens dele? Ele se gabando de ser o número um do país, “só se fala em mim”. Ele para a namorada, trouxe todos os ministros para Londres, e euzinho falando para eles. Um falastrão, porra! Euzinho, olha, eu estou aqui, meu bem, falando, trouxe todos os ministros para cá. que o pariu, que coisa maluca. Mas, Alexandre, você me contratou, não sei porquê, nos anos oitenta e seis, sei lá, porque você era o diretor de jornalismo da TV Gazeta, aí você inventou um programa chamado TV Mix, e nesse programa simplesmente trabalhava o Fernando Meirelles, esse cara hoje que só anda em Hollywood, o Serginho Groisman, que anda na Globo. O Marcelo Machado, que é um puta de um cineasta. O Serginho Groisman, que está também nos altos... Altas Horas, o cacete. Como é que foi? Astrid Fontenelle, que apresentava comigo o programa. A gente tinha uma câmera só. Tinha dia que a câmera quebrava. Era uma loucura aquilo. Fora os... Como é que chamavam os repórteres? Formigas? As abelhas? Como é que foi isso? Conta um pouco dessa aventura do TV Mix.

ALEXANDRE: Vou te contar uma correção histórica. Eu não era o diretor do TV Mix, eu era diretor de jornalismo. Eu fui chamado por lá porque a TV Gazeta não tinha um departamento de jornalismo funcionando. E o presidente da Fundação na época era o Jorge Cunha Lima. E ele me chamou para tentar organizar o... esse departamento de jornalismo. E aí eu comecei a fazer um programete, porque aí eu comecei a arranjar os repórteres, a fazer alguma coisa, e cada repórter tinha que perguntar para os seus entrevistados três coisas. Como sair da crise política, como sair da crise econômica, como sair da crise social. E ao final do dia, eu juntava aquele material e fazia um programete de meia hora. Era uma coisa no começo da programação noturna. O TV Mix funcionava à parte. Eu não era do TV Mix. Eu trabalhava com essa turma toda. Trabalhava junto. Mas eu não era o diretor do TV Mix. Eu fazia o meu... Bom, aí eu fazia esse programete. Estava lá organizando. Quando chegou numa sexta-feira, o Jorge Cunha Lima me chamou na diretoria. Estava um ambiente tenso, porque o horário da noite de política da Gazeta era do Ferreira Neto. E aí eles ficaram sabendo, isso era uma sexta-feira, que na segunda-feira o Ferreira Neto não ia aparecer, ele não avisou ninguém. Então ia ficar um horário em branco, ia ficar sem ninguém, ia ficar todo mundo esperando, ele não ia chegar. E aí me perguntaram se eu queria fazer, se eu queria ocupar aquele espaço. E como eu fazia essas perguntas, vamos sair da crise, virou o programa “Vamos sair da crise”. E aí, tudo bem, então vamos fazer. E aí o meu primeiro programa, eu trouxe o Almino Afonso, que era o governador em exercício. O Quércia estava viajando e veio o Almino. Então........

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