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Cristiano Ronaldo, Dorian Gray e Nureyev

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01.10.2026

Nos últimos 23 anos, Cristiano Ronaldo jogou 268 vezes pela seleção A de Portugal, num total de 21.110 minutos, que renderam, além de 164 golos, um Campeonato da Europa e duas Ligas das Nações. Números fantásticos e muito provavelmente irrepetíveis, de um jogador que ficará na história do futebol mundial como um dos melhores de sempre, ao lado de Pelé, Maradona e Messi. 

Mas como não há bela sem senão, Cristiano Ronaldo não soube envelhecer, não percebeu que devia ter dito adeus à Seleção em 2022, e manteve a presunção de que continuava a ser, em termos desportivos, quem um dia havia sido. Nos últimos quatro anos, apesar da conquista da Liga das Nações com Roberto Martínez, Ronaldo foi mais problema do que solução para a turma das quinas, mantido ligado à máquina da titularidade em função dos proventos que a sua fama ainda permitia arrecadar.

Estou particularmente à vontade para falar sobre este tema porque, após o Mundial do Catar, publiquei um longo artigo em A BOLA sobre este assunto que tinha por título «Cristiano Ronaldo, obrigado e adeus.» Obrigado, porque nunca tive memória curta e sei o que devemos a CR7, que durante anos a fio andou com a Seleção às costas, sendo o principal responsável pelas receitas que entraram na FPF; adeus porque era visível a olho nu que o que a mente queria o corpo já não acompanhava, e a fabulosa geração que cresceu à volta de........

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