As virtudes da rivalidade
A rivalidade é inimiga do civismo, das boas práticas e da urbanidade? Não.
A rivalidade é o motor da competição e o combustível que dá energia às claques, aos adeptos, aos futebolistas e aos clubes. Sem rivalidade, o futebol seria uma modalidade desportiva morna e desinteressante, em que o resultado seria o menos importante.
Não. O resultado nunca é o menos importante. O resultado é o objetivo do jogo, é a razão do jogo. E a emoção do jogo.
Jogar sem ser para ganhar é defraudar as tribos do futebol, é fazer batota e corromper o espírito do fair-play. Não é aceitável nem admissível.
Não concebo outra forma de viver o futebol senão através da rivalidade. Emociono-me pouco com as táticas e a nota artística. O que quero é ganhar, ser melhor do que o adversário, ser o campeão incontestado, desfilar ufano nos Aliados, erguer a Taça e sentir aquela vibração tão difícil de descrever, mas tão boa de sentir.
E, para alcançar este nirvana futebolístico, valerá tudo? Não.
Não vale tudo. A rivalidade só faz sentido se for jogada taco a taco, se o adversário tiver as mesmas oportunidades que nós temos, se o ponto de partida for o mesmo, se em tudo houver paridade. Depois é o golo, o jogo e o génio a fazerem a diferença. Que bela é aquela desmarcação, aquele controlo de bola, aquele passe mágico, aquele golo que faz levantar o estádio. Depois outro, e mais outro, até termos saciado a vontade de ganhar e de nos saudarmos como irmãos e darmos aquela emocionante volta ao redor das bancadas, para receber o calor inflamado de adeptos orgulhosos de um feito extraordinário. Mais uma vitória, mais um sonho realizado.
Milhares de pessoas regressam a casa,........
