Para que queremos a realidade se a simulação rende mais? Editorial de Rui Tavares Guedes
A entrada da SpaceX na bolsa de valores, com a consequente ascensão de Elon Musk ao pináculo dos milionários (ultrapassando a barreira do “trillion” de dólares, na contagem americana), quase em simultâneo com o anúncio, em tom vitorioso, de Donald Trump em relação a um acordo de cessar-fogo com o Irão, são dois episódios aparentemente sem conexão um com o outro. Mas partilham a mesma origem: a substituição da realidade material pela supremacia da narrativa.
Claro que Elon Musk é absolutamente rico e agora até ficou incrivelmente mais rico. Mas o recente salto na sua fortuna não se ficou a dever às leis normais da economia, aquelas que regeram as nossas vidas no último século. Nem à entrada de uma montanha de investidores no capital da SpaceX justificada pelos resultados da companhia que quer criar uma colónia em Marte. Afinal, as contas oficiais indicam que a empresa espacial fechou o último o ano com um prejuízo líquido de 4,9 mil milhões de dólares – um valor que seria suficiente para fazer qualquer um entrar na lista........
