O génio individual e a força do coletivo. Editorial de Rui Tavares Guedes
Gostamos de heróis. Ou antes, precisamos de heróis – para nos inspirar e empolgar, mas também para nos reconfortar por fazerem o trabalho que nós não seríamos capazes. Da mesma maneira que precisamos de líderes que se afirmam pelo exemplo, que obtêm reconhecimento por terem alcançado o que nunca foi feito antes e transmitirem um legado que acaba por se transformar numa espécie de narrativa oficial.
O fascínio pelo indivíduo excecional é uma das marcas mais antigas e persistentes da cultura humana. Todas as nações têm os seus heróis, cujos nomes ouvimos em histórias… que nem sempre precisam de ser fiéis à História. Os mitos dos heróis são absolutamente essenciais para a criação das narrativas que sustentam as crenças e os pensamentos coletivos. Eles são aglutinadores e permitem, ainda por cima, dar rosto humano a grandes movimentos de massas ou ímpetos coletivos que moldaram nações, ganharam batalhas ou, mais recentemente, criaram e desenvolveram empresas de alcance global. A nossa imaginação coletiva está moldada, desde sempre, pela figura do líder solitário, que conseguiu alcançar a glória, mesmo quando todos os........
