Há 453 milhões de razões para acreditar na soberania digital europeia. Editorial de Rui Tavares Guedes
No atual estado do mundo, convém ter noção das forças e das fraquezas da Europa em relação aos seus mais poderosos competidores, especialmente numa altura em que o poderoso aliado ameaça, a qualquer momento, transformar-se em adversário. E se a Europa não possui a força tecnológica dos EUA e da China, incapaz, nas últimas décadas, de criar e desenvolver empresas digitais verdadeiramente globais, também é verdade que continua a ter um poder que, se for bem usado, pode ameaçar os dois blocos hegemónicos: a grandeza e o valor do seu imenso mercado de consumidores.
Todos sabemos que as empresas tecnológicas americanas são enormes, poderosas e dominadas por alguns dos homens mais ricos do mundo. Mas passariam a ser menos gigantes se perdessem o acesso aos consumidores europeus. Com uma particularidade especial: estes nunca poderiam ser substituídos pelo imenso mercado chinês, onde Pequim impõe as suas regras.
Os 453 milhões de cidadãos da União Europeia têm, na luta pelo poder digital, uma força comparável, salvo as devidas proporções e........
