Aviso a mentes distraídas: 66% é o dobro de 33%
Há momentos em que é preciso lembrar o óbvio. Especialmente quando as atenções insistem em continuar concentradas no acessório, naquilo que gera tensão e ruído, mas que depois, no fim, não passa de uma espécie de realidade paralela. E o óbvio é, neste caso, escandalosamente óbvio: António José Seguro não só passou a ser o Presidente eleito com o maior número de votos de sempre, como ainda por cima o fez com o País debaixo de um temporal como há muito não se via. E, “pormenor” nem sempre valorizado, conseguiu recolher mais do dobro dos votos do seu adversário.
Já todos sabemos como tudo aconteceu, mas nesta era de emoções fugazes e de conclusões efémeras, convém sublinhar o óbvio. O que, neste caso, significa recordar que António José Seguro foi o candidato que, do princípio ao fim, manteve uma postura e um discurso mais claramente em contracorrente com o estilo de debate e de combate político que, desde há uma década, se tornou norma em Portugal – o mesmo que, no fundo, permitiu a ascensão de André Ventura. Durante meses, Seguro foi considerado sem carisma, desvalorizaram-se quase sempre as suas prestações nos debates e, mesmo hoje, ninguém se lembra da sua estratégia nas redes sociais nem de alguma frase que, nos discursos e intervenções públicas, tenha........
