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E não é que esta crónica era para ser sobre o Mundial? Opinião de Pedro Marques Lopes

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18.06.2026

Leio que o meu clube está a fazer obras no estádio. Destinam-se a aumentar as zonas que têm sempre nomes que enunciam o privilégio de quem as ocupa: premium, corporate e coisas do género. Haverá poltronas, conforto especial, um serviço gourmet de comidas e bebidas, meninas simpáticas, televisões para se poder ver melhor os lances ou até ver outra coisa qualquer para desenfastiar e por aí fora. Diz que se quer dar a essas pessoas uma experiência diferente. Não será de futebol ou, pelo menos, daquilo que era entendido como futebol, mas já lá vamos.

Há muito que este tipo de sítios existe nos estádios, mas eram limitados e não se alargavam qual mancha de azeite, como tem acontecido nos últimos anos.

Claro está, quanto mais estes lugares crescem, menos há disponíveis para os sócios comuns. E importa lembrar que para ir para os tais locais especiais não é preciso ser sócio nem sequer ser adepto do clube; só um requisito conta: ter dinheiro, ter muito dinheiro.

Em paralelo, diminuir o número de lugares, digamos, normais acaba por fazer com que o seu preço cresça para valores incomportáveis. Teremos cada vez menos sócios no estádio e os que lá estiverem serão apenas os ricos ou, pelo menos, os que vivem muito bem. 

É certo, contudo, que o meu amado FC Porto está longe de ser um pioneiro deste movimento, limita-se a seguir o que está a acontecer por esse mundo fora. Há cerca de dez, anos fui a Madrid ver um Real – Barcelona e não era preciso saber o preço dos bilhetes para perceber a condição económica da maioria das........

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