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Quando sobreviver ao cancro não chega

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06.07.2026

Em 2020, existiam na Europa quase 24 milhões de sobreviventes de cancro, o equivalente a 5% da população daquele continente. Em apenas dez anos, este número cresceu 41%. E quase 15 milhões dessas pessoas estavam vivas há mais de cinco anos após o diagnóstico.

Para perceber a dimensão desta mudança, basta olhar para o cancro da mama. É o mais diagnosticado em mulheres no mundo, com 2,3 milhões de novos casos por ano, segundo a Agência Internacional para a Investigação do Cancro. É também um dos exemplos mais claros da revolução terapêutica em curso. A taxa global de sobrevivência aos cinco anos ultrapassa hoje os 90%, reflexo de décadas de avanços no rastreio precoce, nas terapêuticas dirigidas e na imunoterapia. Há mulheres a criar os filhos que, com os protocolos de há 20 anos, talvez não tivessem visto crescer.

São boas notícias, sem dúvida, mas também reveladoras de uma mudança de paradigma menos discutida: o cancro passou a ser, em muitos casos, uma doença crónica, uma condição prolongada, e os sistemas que organizam a vida das pessoas não acompanharam essa transformação.

Imagine que é diagnosticado com cancro aos 40 anos.........

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