A Lusofonia como “Fratrimónio”. Manuel de Almeida Damásio, Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusófona
“A língua portuguesa […] é uma espécie de fratrimônio que une e irmana.”Gilberto Gil, na Un. Lusófona, a 16 de abril de 2008.
A memória coletiva é uma realidade complexa, muitas vezes incómoda e com queda para o ajuste de contas, sejam as narrativas glorificadoras, ou sejam justicialistas. O passado é o pasto predileto para a ideologização, perdendo-se a capacidade crítica e, sobretudo, a vontade de construir futuro de forma diferente. Amarrados às visões sobre a História, ficamos reféns de uma suposta natureza que nos acabrunha.
O campo de significados em torno da ideia de Lusofonia é dos mais ricos e demonstradores desta inevitabilidade. Incapazes de construir um futuro que tome de forma positiva esse legado que é a língua portuguesa, gastamos as energias na infindável luta em torno do colonialismo e dos neocolonialismos, para não falar nos acordos e desacordos ortográficos.
E a discussão sobre a Lusofonia como continuação de ímpetos de outros tempos é tão só desnecessária, quanto é óbvia a herança que nela desagua: queiramos ou não, somos todos, portugueses ou cidadãos das antigas colónias, irmãos na forma como nos foi imposta uma História. Sim, há que a pensar, que a interrogar e dela tirar lições, mas, especialmente, há que encontrar o que com ela fazer. Ela existe e, ou nos deitamos no divã do psicólogo até um tempo sem fim, ou, pragmaticamente, tentamos fazer algo de útil, algo que nos retire dessa letargia que parece........
