Opinião | Entre o olhar que avalia e o olhar que forma
Poucas expressões da vida escolar carregam tanta ambiguidade como “supervisão pedagógica”. Para muitos professores, evoca a visita do avaliador (interno ou externo), a grelha preenchida, a classificação que condiciona a carreira. Para outros, é o colega experiente, o mentor, que ajuda a pensar a aula. Para os futuros professores, apela ao professor que observa e avalia a sua prática pedagógica. Esta oscilação reflete uma tensão estrutural entre funções que coabitam mal, como formação, avaliação do desempenho e promoção do desenvolvimento profissional.
A experiência na formação de educadores e professores tem-me ensinado que ninguém se desenvolve sob ameaça. Quando a observação está ligada a consequências, o professor mostra a aula “ensaiada”, segura, previsível. Aprende-se a cumprir o indicador, não a interrogar a prática. Já vi professores brilhantes tornarem-se defensivos perante um observador/avaliador e, meses depois, pedirem a um colega de confiança: “Diz-me o que viste.” É essa a diferença entre ser observado e ser acompanhado.
Isto não torna a avaliação ilegítima.........
