O saber de experiências feito na era dos algoritmos
Durante muito tempo, aprender significou procurar. Procurar um livro numa estante, consultar uma enciclopédia, percorrer índices, sublinhar páginas e passar horas numa biblioteca a recolher informação e a organizar apontamentos. O conhecimento exigia tempo, silêncio e persistência. Não estava disponível ao primeiro toque: precisava de ser encontrado, lido, compreendido e reconstruído.
Foi nessa escola que muitos professores aprenderam e ensinaram. O seu saber formou-se nos livros, mas também na observação diária dos alunos, nas tentativas que resultaram, nos erros corrigidos e nas respostas encontradas para problemas que nenhum manual previa. Um conhecimento próximo daquele que Camões atribuiu ao Velho do Restelo: “C’um saber só de experiências feito”. Um saber humano, amadurecido pelo tempo e pela realidade.
Hoje, porém, a informação cabe num bolso. Uma pesquisa devolve milhares de resultados em segundos. A Inteligência Artificial explica, resume, traduz, compara, escreve e responde quase instantaneamente. Os alunos chegam à escola com acesso a conteúdos que os professores podem ainda não conhecer e utilizam, com naturalidade, ambientes digitais onde muitos adultos se movem com maior prudência ou hesitação.
É neste encontro entre duas formas de aprender e de chegar ao conhecimento que nasce uma das maiores inquietações da escola atual.
Uma parte crescente dos alunos pertence à chamada geração Alpha: nasceu num mundo de ecrãs táteis, pesquisa imediata, vídeo, jogos e interação permanente. Muitos professores, pelo contrário, foram formados numa escola em que o livro, o caderno, a exposição oral, a memória e as horas de estudo ocupavam o centro da aprendizagem. Esta diferença não significa que os alunos saibam mais, nem que os professores tenham ficado ultrapassados. Significa que desenvolveram capacidades diferentes: os alunos tendem a explorar rapidamente ferramentas e linguagens digitais, enquanto que os docentes trazem conhecimento organizado, experiência pedagógica e capacidade para relacionar, explicar e dar sentido à informação.
A Educação parece procurar, cada vez mais, o equilíbrio entre estes dois mundos. O problema surge quando transforma a........
