Essa não sou eu: duvidar de mim na era dos perfis falsos
Uma chama-se Joana. Outra Laura. Há uma Berenice. E muitas que não me lembro já como se chamam. Algumas têm mesmo o meu nome. Há as que estudaram em sítios exóticos ou em lugares onde nunca estive, há as que têm várias profissões espalhadas pelo País e as que estão emigradas. Há umas solteiras, outras viúvas, todas à procura do amor. Nenhuma, claro, casada. Mas todas têm as minhas fotografias. São fotos que tirei de férias ou em trabalho, imagens antigas e recentes. São os meus olhos, a minha boca, o meu cabelo. As mesmas roupas e acessórios, a pose que eu fiz. Tudo ali tirado de contexto parece que já não me pertence. Olho para estas estranhas e não me revejo. Quem são a Joana, a Laura e a Berenice? Que vidas são estas?
Aparentemente, há uma fábrica destes meus clones. E eu só vou sabendo porque quase não passa um dia em que não receba o aviso, por mensagem ou numa conversa. “Tens mais um perfil falso.” E de vez em quando, a intrigante interrogação: “Olha lá, esta és tu?” Não sou. Olho para elas e sei que sou e não sou. E lá me vejo obrigada a explicar que não, não sou e a pedir por favor que denunciem.
Há um amigo virtual que fez da caça a estes clones um passatempo. Volta e meia, vem-me com um relatório. “Hoje já foram dois.” Ou então: “Esta semana, está calmo, ainda não apanhei nenhum.” E eu, que........
