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É preciso força e fôlego para evitar este naufrágio. Crónica de Margarida Davim

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20.02.2026

Chove. Não é já bem chuva, na verdade. É um manto contínuo de água que desliza sobre a cidade. Como se o ar se tivesse tornado líquido. As caldeiras das árvores são pequenos lagos, onde as beatas parecem peixes. Aqui e ali, há novas manchas de verde, musgo irrompendo como algas. Por todo o País, há imagens de casas inundadas, estradas que colapsam, falésias que se esboroam. É como se Portugal estivesse a desfazer-se, diluindo-se numa massa instável e lamacenta. Mas é para outro naufrágio que vou, enquanto atravesso a cidade para chegar a uma escola básica de Lisboa, onde me espera um auditório com cerca de 100 alunos, entre os 13 e os 15 anos.

Digo naufrágio, porque o que vejo nas escolas é sempre o mesmo. Professores remando contra a maré, empurrados para o chão pelos ventos da instabilidade laboral, esmagados pelas ondas de burocracia, tentando equilibrar-se entre a tarefa difícil de ensinar alunos cada vez mais distraídos pela tecnologia e uma sensação de cansaço permanente. A professora que me recebe já passou dos 50 anos e dá aulas a 11 turmas, divididas entre duas escolas do mesmo agrupamento. Passa os dias a subir e a descer uma rua, para trabalhar num e noutro sítio. E acumula a disciplina de História com a de Cidadania. “E as grelhas! As grelhas que nos estão sempre a pedir para preencher”, comenta outro professor, mais ou menos da mesma idade, com ar de quem pede ajuda, enquanto esperamos que os miúdos ocupem os seus lugares. “Quando for falar na televisão, fale disto”, pede um professor bem mais novo, que se queixa de acumular dez turmas de Geografia e vai pedindo........

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