O veto que a Europa já não tem tempo para manter
Enquanto os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 se reuniam em Wicklow, no encontro informal conhecido como Gymnich, para discutir, entre outros temas, a reforma dos métodos de decisão da política externa comum, a Rússia fornecia-lhes, em tempo real, o argumento de que precisavam.
Kaja Kallas, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, classificou o ataque frustrado com drones ao aeroporto de Leipzig, atribuído por Berlim a Moscovo, como tendo todas as características de terrorismo patrocinado por um Estado.
Portugal, a par de França, Finlândia e Bélgica, convocou o embaixador russo. A pergunta que Kallas deixou no ar — “o que fazemos em relação a isto?” — resume, com desconfortável precisão, o dilema que esteve no centro do encontro: como pode a União Europeia responder com rapidez a ameaças comuns quando mantém um sistema que permite a um único Estado-membro bloquear a decisão dos restantes?
A contradição é conhecida, mas raramente esteve tão exposta. Bruxelas fala de autonomia estratégica e de segurança económica; ao mesmo tempo, mantém um sistema em que um único Estado-membro pode paralisar os outros vinte e seis. Foi essa contradição que levou 11 Estados — Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Países Baixos, Áustria, Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Roménia e Suécia — a exigir o fim dos bloqueios sistemáticos na política externa europeia.
Não pedem a abolição da unanimidade. Sublinham que a maior unidade possível continua a ser o objetivo, mas recusam que a ausência de consenso se transforme em paralisia permanente. Propõem uma........
