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I am the king of the world

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17.03.2026

Há líderes que governam. Há outros que encenam. E depois há aqueles que parecem acreditar, genuinamente, que o mundo é um tabuleiro e que eles são a única peça que importa.

“Sou o rei do mundo” — não é uma frase dita, mas é o eco constante de uma postura que transforma a política internacional num espetáculo, onde ameaças substituem a diplomacia e a guerra banaliza-se como se fosse apenas mais um episódio de entretenimento global. A ideia implícita de “sou o rei do mundo” não é apenas uma postura retórica. É uma lógica de atuação na qual as alianças são descartáveis, a diplomacia é fraqueza e a guerra surge como instrumento legítimo de afirmação pessoal e política.

O problema não está apenas na retórica. Está na geopolítica que essa retórica ativa.

Há muito que o sistema internacional deixou de ser unipolar.

A ascensão da China, a resiliência da Rússia, o reposicionamento de potências regionais como o Irão e a Turquia criaram um equilíbrio instável — uma espécie de multipolaridade imperfeita.

Agir como se ainda estivéssemos num mundo onde uma potência pode “testar limites” sem consequências é profundamente perigoso.

Quando se fala em atacar territórios “por diversão”, como fez Trump há dias, em relação à Ilha de Kharg, revela-se algo profundamente inquietante: uma desconexão total com a realidade humana da guerra.

O ataque ao Irão demonstrou que não se trata dum confronto entre os EUA com um ator isolado, mas sim com o nó central numa rede de alianças informais, milícias e influências que atravessam o Iraque, a Síria, o Iémen e o........

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