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LEFFEST 2026: o Diabo vai ao cinema e Paulo Branco vende-lhe o bilhete

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24.10.2026

O Marquês de Sade entrou nos Paços do Concelho pela porta mais improvável: a de uma conferência de imprensa com vereadores, patrocinadores e discursos institucionais. Ninguém chamou a polícia. O seu nome vinha no programa do LEFFEST 2026, em boa companhia: Buñuel, Lars von Trier, Abel Ferrara e um Diabo cuja morte foi anunciada sem apresentação da respetiva certidão de óbito. Paulo Branco celebra vinte anos de LEFFEST sentado à mesa das instituições, mas a programar obras que dificilmente passariam no exame de admissão a uma sociedade de bons costumes. A contradição não podia ser mais divertida. Entre 6 e 15 de novembro, Lisboa recebe um festival que leva a sério o direito de o cinema ser contraditório, perturbador, provocador e, nos melhores momentos, inconveniente. E, olhando para a programação, percebe-se que os dez dias disponíveis vão exigir dos espectadores alguma resistência física, capacidade de escolha e uma relação pouco convencional com as horas de sono.

O São Jorge, a Culturgest, o Nimas, o Teatro do Bairro e os Cinemas NOS Vasco da Gama recebem filmes, debates e convidados. Depois de algumas mudanças de poiso, o festival encontrou em Lisboa uma casa estável. A NOS reforça a ligação de duas décadas, associa agora o nome ao festival, leva 13 filmes à programação e assegura uma sala no Vasco da Gama para a competição. A indústria paga parte da festa; a arte, felizmente, ainda não prometeu bom comportamento.

As estrelas, os prémios e os outros pecados

A abertura oficial, no São Jorge, pertence a Paper Tiger: Negócios de Família, de James Gray. Nos restantes espaços, a largada faz-se com Cavalo Selvagem Nove, de Martin McDonagh, Amor Possível, do sul-coreano Lee Chang-dong, e Fjord, de Cristian Mungiu, Palma de Ouro em Cannes. Quatro filmes e um problema: como vê-los ao mesmo tempo sem recorrer à montagem paralela? Gray não virá a Lisboa, mas estará o produtor Rodrigo Teixeira. John Malkovich gravou uma mensagem e, segundo Branco, anda em plena campanha para os Oscars, essa modalidade anual em que Hollywood consegue transformar o talento numa operação de relações públicas com orçamento milionário.

Amor Possível, Grande Prémio do Júri em........

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