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A IA vai matar-nos? Calma: HAL, Skynet e o marketing do apocalipse chegaram primeiro

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18.09.2026

A inteligência artificial (IA) conseguiu uma proeza que nem HAL 9000, nem Skynet, nem os replicantes de Ridley Scott tinham conseguido: transformar alguns dos homens mais poderosos da tecnologia em profetas do Juízo Final. Constroem modelos cada vez mais sofisticados, investem fortunas, disputam mercados, prometem uma revolução comparável à eletricidade e, entre duas apresentações de produto, avisam-nos de que aquilo talvez possa acabar connosco. É uma modalidade empresarial curiosa. Imagine-se a Boeing lançar um novo modelo de avião e acrescentar: voa maravilhosamente, é o futuro da aviação, queremos vender milhões, embora exista uma pequena hipótese de eles caírem ou exterminar a espécie humana. Entretanto, a pergunta que anda por aí — vamos morrer todos por causa da IA ou isto é só teatro? — tem pelo menos uma virtude: obriga-nos a separar o risco real da cenografia apocalíptica. Porque uma coisa é reconhecer que a IA representa uma transformação tecnológica gigantesca e envolve perigos sérios; outra é saltar diretamente daí para o computador homicida que acorda numa terça-feira maldisposto e resolve eliminar 7 mil milhões de pessoas antes do almoço. 

O cinema chegou a esta discussão quase cem anos antes dos comunicados ou comentários das tecnológicas. Em Metrópolis, de Fritz Lang, o Maschinenmensch já mostrava em 1927 que uma máquina com aparência humana podia ser usada para manipular multidões. A questão decisiva, repare-se, não era o robot ter desenvolvido ambições políticas próprias: alguém o construíra, alguém o programara, alguém decidira utilizá-lo. Quarenta anos depois, Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke deram-nos HAL 9000 em 2001: Odisseia no Espaço. HAL continua a ser talvez a melhor inteligência artificial do cinema precisamente porque não é um monstro. Fala baixo, é bem educado, competente, aparentemente infalível e mata sem precisar de fazer cara de mau, até porque realmente não tem cara. O seu conflito nasce de instruções incompatíveis, de objetivos contraditórios e da impossibilidade de resolver elegantemente uma ordem humana mal concebida. Meio século depois chamamos a isto “problema do alinhamento” e colocamos a expressão em conferências como se Kubrick não nos tivesse deixado quase o PowerPoint pronto em 1968. 

Depois veio Jogos de Guerra, em 1983, com um computador militar quase a desencadear uma guerra nuclear porque leva demasiado a sério aquilo que os humanos lhe apresentam como jogo. Em O Exterminador Implacável, James Cameron foi mais longe e criou a Skynet, provavelmente a mãe de todos os pesadelos modernos sobre a IA: uma rede militar consciente que decide que a humanidade constitui uma ameaça. Hollywood percebeu imediatamente que uma máquina que marca consultas médicas seria pouco cinematográfica. Uma máquina que lança........

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