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Bento de Espinosa, o filósofo necessário porque incomoda

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24.04.2026

Num tempo marcado por ruídos que nos rasgam a atenção e medos que nos toldam o pensamento, há um filósofo que regressa como um sopro de clareza no meio da tempestade: Bento de Espinosa.

Filho de exilados portugueses fugidos da Inquisição, excomungado pela própria comunidade que o viu nascer, e ainda assim sereno diante do abandono, Espinosa ergueu uma filosofia que não consola − ilumina. Hoje, quando as paixões tristes governam demasiadas decisões e a razão parece perder terreno para a fúria, lê-lo é mais do que um exercício intelectual: é um ato de sobrevivência interior. É a coragem de parar, pensar e compreender num mundo que nos exige apenas reagir. E talvez seja precisamente por isso que Espinosa, três séculos depois da sua morte, continua a ser não apenas atual, mas indispensável.

Há figuras que atravessam a História do pensamento como uma respiração discreta, quase impercetível, e há outras que, como Bento de Espinosa, permanecem como uma luz que insiste. Nascido em Amesterdão, em 1632, filho de uma família judaico-portuguesa que fugira da Inquisição, Espinosa cresceu entre duas fidelidades: a memória ferida de um país que expulsou os seus e a promessa de um lugar onde o pensamento pudesse respirar sem ser vigiado. Os seus pais, vindos da Vidigueira, carregavam consigo a herança de séculos de medo, silêncio e resistência. Mas até a........

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