Se sabemos o que nos faz bem, porque continuamos a fazer o contrário?
Há uma questão que me acompanha há muitos anos. Como profissional de saúde, sei explicar porque é importante dormir bem, praticar exercício físico, gerir o stress, cultivar relações saudáveis ou alimentar o corpo de forma equilibrada. E, ainda assim, vejo diariamente pessoas inteligentes, informadas e motivadas que continuam a adiar precisamente aquilo que sabem que lhes faria bem.
A verdade é que o conhecimento, por si só, raramente muda comportamentos.
Se mudasse, bastaria ler um livro sobre alimentação para nunca mais escolhermos alimentos ultraprocessados. Bastaria saber que o sedentarismo aumenta o risco de doença para caminharmos todos os dias. Bastaria conhecer os benefícios do sono para nunca mais ficarmos a ver “só mais um episódio”.
Mas não é assim que o cérebro funciona.
Durante muito tempo, acreditámos que tomávamos decisões de forma essencialmente racional. Hoje sabemos que uma grande parte dos nossos comportamentos acontece em piloto automático.
Estima-se que uma parte significativa das ações que realizamos diariamente resulte de hábitos profundamente enraizados. O cérebro procura constantemente poupar energia e, para isso, transforma comportamentos repetidos em automatismos. Quanto menos tiver de decidir, menor será o esforço. É um mecanismo extraordinário de eficiência.
O problema é que o cérebro não distingue hábitos saudáveis de hábitos prejudiciais. Distingue apenas aquilo que lhe é familiar. Por isso, muitas vezes, não........
