Duas semanas de férias: será que precisamos mesmo de tanto tempo para desligar?
Escrevo este artigo de férias, junto ao mar. E talvez seja precisamente por isso que esta reflexão me surgiu.
Há qualquer coisa que muda em nós quando estamos verdadeiramente de férias. Não apenas quando deixamos de trabalhar, mas quando passam dias suficientes para começarmos a perder a noção do dia da semana, deixarmos de consultar o relógio constantemente e percebermos que já não estamos mentalmente a responder à vida que ficou para trás.
O corpo abranda. A cabeça também.
E, algures nesse processo, parece surgir uma versão diferente de nós próprios.
Dormimos mais. Caminhamos sem ser para chegar a algum lugar. Comemos com tempo. Conversamos durante mais tempo. Estamos mais disponíveis para quem está connosco. Reparamos no pôr do sol, lemos algumas páginas de um livro, mergulhamos no mar ou simplesmente ficamos sem fazer nada — essa atividade quase revolucionária numa sociedade que transformou a produtividade numa medida de valor pessoal.
Foi precisamente aqui, nestes dias, que me ocorreu uma pergunta: quanto tempo precisamos realmente para desligar?
Em Portugal, o Código do Trabalho determina que, quando as férias são repartidas por acordo, deve existir pelo menos um período de dez dias úteis consecutivos. Na prática, para a maioria dos trabalhadores, falamos de duas semanas.
Talvez valha a pena refletir sobre a sabedoria que existe por detrás desta continuidade.
Há cada vez mais pessoas que preferem repartir as férias ao longo do ano. Uma semana aqui, alguns dias ali, fins de semana prolongados. E há vantagens evidentes nisso. Criamos vários momentos de pausa e distribuímos oportunidades de descanso ao longo dos meses.
Mas uma pausa não é........
