O Rei vai nu!
O rei vai nu! O rei vai nu! Gritou a criança enquanto o rei desfilava publicamente pelas ruas com seu novo “fato invisível”.
No famoso conto de Hans Christian Andersen, intitulado “A Roupa Nova do Rei”, um rei vaidoso compra um “fato invisível” que só seria visto por pessoas inteligentes. Por receio de parecerem ignorantes, todos fingem que estão a ver a roupa nova do rei. Até que uma criança aponta o dedo e menciona o que todos constatavam, mas que receavam afirmar: O rei ia nu!
Ora, atualmente, deparamo-nos com uma incapacidade coletiva de admitir o evidente, seja por medo, interesse ou conformismo. Resistência em reconhecer o “óbvio ululante”, expressão firmada pelo escritor brasileiro Nelson Rodrigues: aquilo que está diante de todos, mas que a maioria, propositadamente, finge não ver.
No conto do rei não é apenas o rei que está nu. Os ministros sabem. Os alfaiates sabem. A multidão sabe. A única pessoa que não participa da encenação é a criança. A coragem da criança não está em descobrir a verdade. A verdade é conhecida por todos. A coragem da criança consiste em recusá-la como mentira coletiva.
Costuma-se afirmar que o problema é o rei ir nu. Talvez esse não seja o........
