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Vêm aí os remadores! Opinião de Filipe Luís

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16.04.2026

Embora ainda não tenhamos entrado na “estação idiota”, a tradução possível para silly season, uma parte da Linha do Estoril, a ocidente de Lisboa, acordou sobressaltada, uma destas manhãs, por um alegado desembarque de migrantes. Afinal, eram alunos de remo, em plena aula. O episódio, que rapidamente entrou no vasto anedotário das redes sociais, chegou ao programa Isto É Gozar com Quem Trabalha, de Ricardo Araújo Pereira, na SIC, obtendo, assim, uma espécie de diploma, ou certificado, na consagração do templo televisivo da comédia nacional. Apesar de tanta hilaridade, nunca esteve tão certa a expressão popular que diz: “Não sei se deva rir, se deva chorar.”

Claro que optamos sempre pelo riso, mas o episódio levanta questões inquietantes sobre o grau a que chegámos de paranoia, introduzida pelas narrativas populistas anti-imigração. Se fosse há dez anos e alguém visse uma embarcação em aparentes dificuldades, a primeira coisa que chamaria não era a GNR, era o Instituto de Socorros a Náufragos, para que pudessem salvar potenciais vítimas de naufrágio, depois de um passeio inocente, num barco a remos… que terá corrido mal. Mas não: o que vemos na linha do horizonte, quando uma embarcação parece não conseguir sair do mesmo sítio, por falta de perícia dos remadores (ou correntes traiçoeiras…), é a ameaça potencial de uma invasão de marroquinos ilegais – ou pior, de subsarianos armados de telemóveis 4G e facas nos dentes. O que se passou resume-se às linhas inspiradas do Correio da Manhã que, com a devida vénia, transcrevemos: “Uma aula de remo, com seis alunos e um monitor, numa embarcação, ao largo de Oeiras, causou um aparato policial e de socorro pouco visto, na manhã de sexta-feira. O remar deveria ser algo descoordenado e quem viu e........

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