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O ano em que a política não foi de férias. Opinião de Filipe Luís

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20.08.2026

1. Ainda o caso dos exames não estava perfeitamente resolvido, com classificações da segunda fase por afixar e os calendários a rebentar, e o PSD já avançava com a sua tradicional rentrée política, na festa do Pontal, no Algarve. Os ecos dos casos mais prementes, como os que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, tinham recrudescido, com uma auditoria à PJ, ordenada, dias antes, pela ministra da Justiça, que engloba todo o mandato do atual ministro à frente daquela polícia, e eram ainda objeto de contestação, polémica, análise ou comentário. Os próprios incêndios florestais do verão, que têm sido muitos e graves, acabaram por passar mais ou menos despercebidos, perante a avalanche noticiosa a concentrar-se na política pura e dura. Quando anunciou que não meteria férias, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, estava a ilustrar, sem o saber, uma realidade: a política também não tirou férias – e o Governo não teve tréguas.

No discurso do Pontal, Montenegro voltou ao tema do jornalismo e dos comentadores, uma obsessão um tanto ou quanto provinciana, que vem do início dos seus mandatos e que não encontra qualquer fundamento numa comunicação social especialmente mais agressiva do que, por exemplo, relativamente ao governo de maioria absoluta de António Costa. Talvez Montenegro tenha o sonho húmido de copiar o antigo chefe do governo húngaro, Viktor Orbán, e tente fazer aprovar uma lei que venha a criminalizar os órgãos de imprensa que não veiculem notícias “politicamente equilibradas”, o que quer que isso seja e seja quem for que defina os critérios (o Governo, claro). Sim, essa lei existiu mesmo, na Hungria, e foi uma das mais importantes a pôr em causa a separação de poderes, o Estado de direito democrático e a própria democracia no país magiar.

Depois, Montenegro reservava uma surpresa, suscetível........

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