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Das greves e da moralidade

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11.06.2026

Pessoas que ficaram sem consulta ou cirurgia programada. Alunos que não fizeram o exame de Português. Trabalhadores que não conseguiram transporte e ficaram sem um dia de trabalho. Passageiros que ficaram sem voo. A greve geral, ao contrário da narrativa do Governo, teve um impacto fortíssimo no País. Alguns estudos falam numa paragem de 14% a 16% na atividade económica, com o apagão de abril de 2025, e de 7% a 8%, com a greve geral de dezembro último (ainda não sabemos o impacto da greve de 3 de junho). Mas os números são, de qualquer forma, impressionantes: é muitíssimo.

E, no entanto, a greve geral demonstrou que existem dois países. O País do setor público, que adere em massa. E o País do setor privado, que adere residualmente. E o primeiro-ministro aproveitou para tirar duas conclusões: primeira, a greve prejudicou pessoas e famílias, nomeadamente, as que queriam trabalhar. É um facto: as greves causam prejuízos e incómodos, senão não seriam greves; segunda, os do setor privado “quiseram trabalhar”, ou seja, subentende-se, nada têm contra o pacote laboral ou, pelo menos, não acompanham a CGTP (promotora desta greve) no protesto. Esta tese faz lembrar os tempos da Troika, em que o governo de Passos Coelho procurou virar os portugueses uns contra os outros: os do setor público contra os do setor privado, os trabalhadores contra os reformados e os novos contra os velhos – a peste grisalha. Ora, os portugueses que trabalham para o setor privado têm um monte de razões para não fazer greve. Da pressão que existe no local de trabalho ao medo de ficarem “marcados” e à fraca sindicalização. Entre esse monte de razões, o eventual beneplácito destes trabalhadores à reforma laboral é a última delas, como muito bem demonstram vários estudos de opinião.

O objetivo das greves gerais foi o de exercer pressão e de criar, no País, um clima de alarme social que mobilizasse a opinião pública contra esta reforma. E assim, influenciar o voto dos partidos – em especial o voto do........

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