Prémio Limão Azedo para o belicismo envergonhado da política de Defesa
Desde 28 de fevereiro, o mundo está mais perigoso com o ataque unilateral dos Estados Unidos e de Israel ao Irão enquanto estavam a decorrer negociações em Genebra sobre o programa nuclear iraniano. O Irão havia renunciado, em 2015, ao desenvolvimento do enriquecimento de urânio com fins militares, em troca do abrandamento das sanções económicas, em acordo celebrado com os Estados Unidos, o Reino Unido, a Rússia, a China e a Alemanha.
Em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Estados Unidos denunciaram unilateralmente o acordo, que sempre fora criticado por Israel, e por isso, desde então, deixou de existir um mecanismo de acompanhamento do programa nuclear iraniano e a teocracia xiita voltou ao seu caminho de enriquecimento de urânio com potencial de utilização militar.
Desde que Trump regressou ao poder em janeiro de 2025, agora sem o controlo da hierarquia tradicional do Partido Republicano, varrida pela vaga MAGA, e com uma maioria no Congresso, que pode agora ser marginalizado por centenas de ordens executivas, o mundo está claramente mais perigoso e sem regras.
Tal é ainda mais grave numa região do mundo em que Israel, a India e o Paquistão dispõem de armas nucleares, em que a Síria, o Iraque e o Afeganistão estão retalhados por conflitos internos em que os governos não controlam grande parte dos respetivos territórios, em que o Líbano é devastado por mais uma invasão israelita e pelas várias milícias sem controlo governamental e a Palestina aguarda sem esperança, debaixo do apartheid dos........
