Prémio Laranja sem Sumo para a vitória medíocre de Montenegro no PSD
O primeiro-ministro em funções foi reeleito este fim de semana para um terceiro mandato na liderança do PSD com a menor votação de sempre.
Por entre as dúvidas sobre a falta de ritmo reformista, imputadas por Passos Coelho, e pela generalidade da madrassa ideológica do Observador, a imagem de paralisia do Governo confirmada pelas sondagens e as dúvidas dos poucos resistentes sociais-democratas e centristas do PSD sobre o excessivo alinhamento com a extrema-direita de Ventura, Luís Montenegro, governante incumbente sem adversário partidário, apenas conseguiu mobilizar 14467 militantes.
Ficou assim abaixo dos mais de 16 mil votantes de 2024 e longe dos 19241 de 2022, quando se apresentou como candidato da ala direita do partido, derrotando o adversário cosmopolita, ambientalista e mais preocupado com as questões sociais, Jorge Moreira da Silva, que ainda assim reuniu o apoio de 28% dos militantes.
É certo que o poder e a pragmática ausência de alternativas são muito negativos para a democracia interna e a dinâmica dos partidos. Mesmo assim não deixa de ser de notar que Montenegro ficou longe dos mais de 20 mil votos alcançados por José Luís Carneiro na sua recente reeleição, sem adversários, para a liderança do PS.
Estes resultados demonstram o enquistamento do sistema partidário, em que pequenas minorias militantes decidem quais sãos os candidatos à liderança do País, o que é, aliás, agravado pela ausência de um debate interno transparente sobre alternativas estratégicas ou mesmo ideológicas.
Mário Soares e Sá Carneiro tiveram sempre fortes oposições internas que contribuíram decisivamente para o robustecimento das suas lideranças. O PSD teve múltiplas cisões internas, desde o abandono de Mota Pinto, que voltaria mais tarde à liderança, até às “Opções Inadiáveis” de Sousa Franco, Magalhães Mota e Sérvulo Correia, com vários abandonos e regressos do líder........
