Prémio Laranja Amarga para a tentativa de tornar as presidenciais a terceira volta de Montenegro
Este é um espaço de avaliação crítica da governação, mas a estratégia de Luís Montenegro torna inevitável que o tema da semana sejam as eleições presidenciais.
Ao longo de 50 anos de democracia, tivemos cinco Presidentes da República com caraterísticas muito diferentes, mas todos eles valiam muito mais do que as forças políticas que pontualmente os apoiaram.
Ramalho Eanes reunia as legitimidades revolucionária e democrática, que iam muito além do PS e do PSD em 1976, ou do PS (sem Mário Soares) e do PCP em 1980, derrotando na reeleição o candidato de Sá Carneiro que dramaticamente morreu num último fôlego da campanha eleitoral.
Mário Soares e Jorge Sampaio eram grandes figuras da democracia que rasgavam as fronteiras do PS, num caso a partir do pior resultado eleitoral de sempre após o corajoso Governo do Bloco Central e a mobilização inesperada do voto comunista na segunda volta, noutro antecipando-se a Guterres que o apeara em 1991 da liderança partidária. Ambos foram reeleitos por maiorias esmagadoras.
Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, com estilos pessoais verdadeiramente nos antípodas, também valiam muito mais do que o PSD, que já tinham liderado, e ambos chegaram a Belém com o PS no Governo, na lógica de contraponto moderador de José Sócrates e de António Costa, com os quais tiveram um relacionamento exemplar durante os primeiros mandatos de todos eles.
Desta vez, estamos na paradoxal situação de estar perante uma eleição muito aberta, com uma enorme paleta de opções de voto, e de um sentimento de orfandade resultante de, quer à direita quer à esquerda, se achar que as opções mais fortes e mobilizadoras não se apresentaram a jogo, por........
