Para sempre, professora
“Olá professora Carmo. Sou o Fábio. Seu ex-aluno na disciplina de Português no 11° ano (ano letivo 2017/2018). Sim, o aluno, que em conjunto com outro, fez imensa estupidez e parvoíces, uma incluindo a sua pessoa. Venho, depois destes anos, pedir-lhe desculpas. E garanto-lhe, do fundo de mim, que a nossa intenção nunca foi magoá-la diretamente. Foi um meio para… Não sei, sinceramente, diversão? Ser aceite?
O pior é que a professora não merecia, o seu lado empático (desde logo percebi isso), atento. Eu tinha recuperado de uma crise de ansiedade que tinha durado algum tempo, por conseguinte estava, internamente, super confiante, com vontade de fazer amigos, desfrutar da vida… A par disso, uma escola nova, necessidade de acolhimento, fazer novas amizades. Apaixonei-me verdadeiramente pela primeira vez e sofri também com todo esse processo. Amar dói, mas vale a pena o risco. Podia ter feito de outra forma? Claro que podia! E, hoje, não faria metade do que fiz. Não entendo, apesar de não justificar nada do que fiz nos anos em que estive nessa escola, a si foi especialmente mais grave: precisamente pela pessoa que estava a ser “atacada”, exatamente pela descrição que fiz de si no início da mensagem. Uma pessoa empática, boa, preocupada, para além do ato de ensinar. Se recusasse no tempo, teria aproveitado para desabafar consigo, conversar, porque sei que me iria ajudar.
Entretanto, cresci, amadureci (queria mais, mas pronto), consegui transferência para outra escola e, a título excecional, consegui regressar ao 10° ano no mesmo curso (ciências e tecnologias), no regime normal (diurno). Completei o ensino secundário e fiquei com uma ótima relação com a maioria dos professores, em especial duas professoras, com quem ainda mantenho contacto. Percebi a importância do professor, o quanto ele nos pode ajudar a crescer, a enfrentar dificuldades. Muitas vezes ficava a falar com a minha professora de Filosofia no fim das aulas. No fundo,........
