Conservar a natureza para quê?
Portugal tem, desde junho, uma Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 atualizada. O documento, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 125/2026 (ENCNB 2030), merece atenção porque introduz a intenção de uma incontornável mudança: conservar a natureza deixa de significar apenas proteger espécies e habitats e passa, pelo menos no discurso, a significar também restaurar ecossistemas, valorizar o território e melhorar a vida das pessoas. Se assim for, é uma mudança importante e certamente positivamente marcante.
A própria Estratégia reconhece que o paradigma exclusivamente conservacionista, assente sobretudo na proibição de usos e na restrição de atividades, está ultrapassado. Mais: admite que essa lógica contribuiu para a “neutralização” das áreas protegidas, afastando-as dos processos de desenvolvimento. Esta afirmação é talvez uma das mais importantes de todo o documento.
Um parque natural não pode ser apenas um território onde determinadas coisas são proibidas. Tem de ser natureza viva e vivida. Um lugar onde se protege a biodiversidade, mas também onde se pode caminhar, observar, aprender, produzir, trabalhar e,........
