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A Deloitte e a implosão do Ministério da Educação

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09.08.2026

As notícias sucedem-se. Primeiro, foi o envolvimento da Deloitte na reorganização do Ministério da Educação, Ciência e Inovação. Depois, novos contratos no âmbito da transformação administrativa e digital. Agora, um novo contrato relacionado com os exames nacionais. Cada uma destas decisões pode parecer, isoladamente, um episódio de gestão. Mas, vistas em conjunto, revelam um padrão que merece muito mais do que um debate sobre contratação pública. Levantam uma questão política de fundo: porque precisa um dos maiores ministérios do Estado de recorrer sucessivamente a uma consultora privada para se reorganizar, redesenhar processos e apoiar decisões estratégicas?

A resposta mais fácil seria centrar o debate na Deloitte. Seria também a mais superficial. O problema não é uma empresa em particular. Amanhã poderá ser outra consultora multinacional. O verdadeiro problema é a crescente dependência do Estado em relação às grandes empresas de consultoria para exercer funções que deveriam constituir competências próprias da Administração Pública. Quando essa dependência se torna estrutural, o Estado deixa de desenvolver internamente capacidades de análise, planeamento e organização e passa a adquiri-las sucessivamente no mercado.

É esta transformação que importa discutir.

A reorganização do Ministério da Educação não pode ser entendida como uma iniciativa isolada do ministro Fernando Alexandre. Ela inscreve-se numa estratégia mais vasta de reforma da Administração Pública conduzida pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias. O que está em causa não é apenas uma alteração da orgânica de um ministério. É uma determinada conceção do........

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