Opinião | Ser professor, uma reflexão
Num livrinho breve, Montaigne ou a Vida Escrita (Gradiva, 2025), Eduardo Lourenço observa quanto a Europa tem sido o lugar de uma inquietação, de um questionamento radical que, de Parménides a Kant, de Platão a Heidegger, de São Tomás a Nietzsche, chegando a Sartre ou Lévinas, tem funcionado como lugar do não. Em si mesmo, este lugar é, ou tem sido, a garantia de que a Europa, depois dos seus suicídios em 1914-18 e 1939-45, continua fiel a essa energia vital que a fez renascer das cinzas. Porém, em 1989, Eduardo Lourenço já adivinhava que essa Europa da cultura inquieta, lugar do não por excelência, corria o risco de se transformar num não lugar. Fruto de viver a cultura como questionamento incessante de si, a Europa de 1989 era já a preparatória Europa que temos hoje. Um não lugar que nunca mais poderá voltar a ser o lugar do não.
Eduardo Lourenço era a Cassandra desse tempo: “É provável que, dentro em pouco, a Europa constitua um supermercado fluorescente, o espaço dourado por excelência de uma sociedade hiperconsumista, ao mesmo tempo que um lugar de diversão sem rival no planeta. Essa perspetiva não só é plausível, como, de certo modo, fatal.” (p. 64). O........
