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Sem avisar, Trump coloca a Europa na guerra

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04.03.2026

Guerra no Irã deixa claro que Trump pacifista era farsa para ganhar votos

O presidente dos EUA Donald Trump declarou que a guerra contra o Irã irá durar o necessário para ser alcançado o objetivo traçado.

Não se referia à guerra comercial, decorrente da bélica. É no campo comercial que os aiatolás atuam fortemente e mantém o governo em pé.

Por exemplo, fecharam o estreito de Ormuz, por onde passam 27% do petróleo e 20% do gás dos países exportadores.

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Disse Ebrahin Jabari, conselheiro da Guarda Revolucionária Iraniana: "Fechamos o estreito de Ormuz, e o preço do barril de petróleo subiu para US$ 83. Alcançará US$ 200 com a prorrogação da guerra".

Outro ponto a favor dos aiatolás do tirânico governo iraniano é que o Ministério de Energia de Israel suspendeu, pelo risco decorrente da guerra, a autorização para exploração do campo de gás Leviatã, explorado pela norte-americana Chevron. Só para o Egito, o contrato de exportação é estimado em US$ 35 bilhões.

Trump procurou escapar às perguntas a respeito dos efeitos dos projetados aumentos de preço do petróleo. Fingiu despreocupação e afirmou: "Poderemos ter preço alto por um tempo, mas, depois, o preço cairá".

É certo que os EUA não dependem da importação de petróleo e gás. Além da autossuficiência, já têm, como "tanque de reserva", o produzido na conquistada Venezuela.

Mas especialistas em geoeconomia apontam para o crescimento inflacionário —internacionalmente, os preços irão subir com o aumento do petróleo e gás.

Ontem, Putin orientou por telefone o premiê húngaro Viktor Orbán, considerado um quinta coluna na União Europeia.

Putin quer a Hungria, um dos 32 Estados-membros da UE, aumentando a pressão. Ou seja, levantará o seu veto de liberação de 90 bilhões de euros da UE à Ucrânia desde que o presidente Volodymyr Zelensky concorde em reativar o oleoduto de Druzhba, condutor do petróleo russo para a Europa.

Mais petróleo russo vendido, melhor para a economia do país, necessitada de fôlego financeiro para manter a guerra contra a Ucrânia.

Para os especialistas em guerra, a Rússia já "abre o bico" com as altas despesas decorrentes de quatro anos de uma guerra que imaginava resolvida em semanas.

Mais ainda, o bloqueio econômico à Rússia, como sanção à invasão da Ucrânia, poderá ser mais facilmente driblado com as potências distraídas com a guerra no Irã.

Nesse cenário de incertezas e especulações, Trump comunicou ao Congresso as razões determinantes do ataque ao Irã, em parceria com Israel.

Nas explicações, Trump disse ter iniciado o ataque para "neutralizar as atividades malignas do Irã".

Ressaltou as metas perseguidas: alvejar o potente arsenal de mísseis iranianos, pôr fim ao programa nuclear, reduzir o poder da Marinha inimiga e atingir outros alvos estratégicos —o Irã é o maior produtor mundial de drones de guerra.

Trump não especificou nada sobre a sua meta, como fez na Venezuela, de colocar um chefe de governo alinhado com o Ocidente, com o fim do regime teocrático.

Enquanto se explicava ao Congresso, algo surpreendente ocorreu. A Europa, velha aliada dos EUA, não foi comunicada do ataque contra o Irã e não gostou. Já estava incomodada com as taxações, e o acordo de aceitar o aumento de 15% das tarifas não foi digerido.

Os líderes de França, Reino Unido e Alemanha, que estavam com relações estremecidas, voltaram a se unir. Sabem, e não concordam, que o desejo de Trump é forçar a Ucrânia a entregar parte do seu território à Rússia. Isso colocaria a Europa em risco, na visão dos líderes e membros da UE, com exceção da Hungria de Orbán.

O presidente francês Emmanuel Macron soltou a sua frase bombástica: "Para ser livre, é necessário ser temido. Para ser temido, é preciso ser potente".

Macron abriu o guarda-chuva nuclear francês composto por 290 bombas atômicas testadas.

Debaixo desse guarda-chuva estão Reino Unido, Alemanha, Polônia, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca.

Tem mais. Depois do bombardeamento de Chipre pelo Hezbollah libanês, que tem seu braço armado orientado e financiado pelo Irã, os países europeus resolveram unir-se e armar-se cada vez mais, exceção à Itália. A premiê direitista Georgia Meloni faz parte dos filotrumpistas, embora apoie incondicionalmente a integridade territorial da Ucrânia.

Os europeus começaram a olhar a história americana com preocupação. Os americanos sempre se metem em guerras. No começo, mataram índios, libertaram-se dos ingleses e, na "mão grande", apropriaram-se de terras mexicanas. Parecem esquecer o espírito colonizador europeu do passado.

Depois da Segunda Guerra, vários presidentes americanos meteram-se em invasões e guerras. Os jornais europeus de ontem relacionam os presidente norte-americanos às ações bélicas:

John F. Kennedy: Vietnã e Cuba

Lyndon B. Johnson: Vietnã e República Dominicana

Richard Nixon: Chile, Camboja e Laos

Jimmy Carter: Afeganistão e Irã

Ronald Reagan: Granada e Líbia

George Bush, o pai: Panamá e Iraque

Bill Clinton: Somália e ex-Iuguslávia

George W. Bush, o filho: Afeganistão e Iraque

Barack Obama: Síria e Líbia

Joe Biden: Afeganistão

Donald Trump: Venezuela e Irã, por enquanto.

Num pano rápido. Cada vez fica mais clara a intenção de Trump de derrubar governos, embora ele relacione motivos para tentar legitimar as ações perante o direito internacional e o Congresso norte-americano.

Aquele Trump que se apresentava como pacifista para obter votos era um farsante. O Maga (Make America Great Again) foi apenas rótulo de campanha. Segundo a mídia dos EUA, a fortuna pessoal de Trump só aumenta depois de assumir o segundo mandato presidencial.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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