Desarranjo abala acordão para abafar casos do Master ou do INSS, e políticos se espancam
Vinicius Torres Freire
Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)
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Desarranjo abala acordão para abafar casos do Master ou do INSS e políticos se espancam
Queda de Toffoli, PF, ação da CPI do Crime Organizado e ataque a Lulinha perturbam acerto
Recomeço de investigações e medo de perder proteção incentivam ameaças e retaliações
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O acordão para "abafar o caso" está com desarranjo. Balançam os acertos tácitos ou explícitos de proteger amigos e comparsas nos casos do Master, da roubança do INSS e até dos esquecidos fundos secretos da Reag.
As partes envolvidas, sejam investigadores, políticos ou seus aliados, estão atirando mais à vontade e, no caso da política, uns contra os outros. A soberba de Dias Toffoli ajudou. A Polícia Federal mais solta contribui. A barbeiragem dos governistas na CMPI do INSS também. Políticos investigadores em campanha eleitoral põem algum fogo no circo.
Há até parlamentar interessado de fato na investigação contribuindo para prejudicar o arranjo da impunidade. O fato é que a turma do abafa vai ter de repactuar o acerto.
Quando há desarranjo no acordão, dá besteira. Ou melhor, risco de besteira para os envolvidos, a possibilidade de que muito documento seja jogado no ventilador. Não é assim que deveria funcionar a República, mas esta República está funcionando de modo ainda pior do que de hábito.
Além das corrupções mais corriqueiras, parece haver corrupção mais extensa ou evidente para institucionalizar a corrupção (sic) e, assim, também entrincheirar feudos na política (como é o caso da roubança das emendas e, talvez, o do Master).
O estremecimento do pacto da pizza ficou evidente nas providências de quarta-feira da CPI do Senado contra o Crime Organizado, que se tornou CPI alternativa e em escala menor do Master, pois uma CPI de fato sobre os rolos federais do banco de Daniel Vorcaro está barrada pelos comandos de Senado e Câmara.
A coisa desandou nesta quinta, na CPMI do INSS, com dezenas de convocações, de quebras de sigilo de gente envolvida e de Fábio Lula da Silva, o Lulinha, troféu da oposição, embora gente graúda na roubança do INSS tenha ficado de fora da ofensiva.
"O jogo virou", disse Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, depois da derrota do governismo, que dominava a comissão. Enfim, como revelou o Poder360, os sigilos do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam sido quebrados por André Mendonça, ministro do STF, a pedido da PF, em janeiro.
O desarranjo suscitado por medo da polícia e suspeitas de ataque político começou com a queda de Dias Toffoli da relatoria do inquérito do Master, de certo modo provocada pela PF, que vinha sendo objeto de tentativas de intimidação. Sob André Mendonça, a PF foi liberada para investigar o rolo Master —ou ao menos perdeu antolhos e rédeas da relatoria Dias Toffoli.
Mendonça também liberou o trabalho do Coaf. Mas permitiu que os irmãos de Toffoli cabulem a convocação da CPI do Crime Organizado. A PF já vinha causando raiva por causa das investigações sobre a roubança das emendas, o que irrita sobremaneira Davi Alcolumbre (UB-AP), presidente do Senado.
Centrões e direitões acham que Lula instiga os policiais contra parlamentares suspeitos de apropriação indevida do Orçamento —mas a PF investiga Lulinha. Os governistas foram justamente a Alcolumbre para pedir uma espécie de habeas corpus político para Lulinha, para cancelar a quebra do sigilo do filho de Lula, que teria sido aprovada, entre outros 86 requerimentos, em votação fraudulenta.
Alcolumbre está incomodado com o governo desde 2025 e, neste ano, deixa morrer projetos de interesse de Lula 3. A PF solta dificultaria o acordão. Há muito fio solto, de resto. Repactuar o arranjo vai dar trabalho. Mas vai ter conversa.
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