menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Em 88, EUA derrubaram avião de passageiros do Irã e alegaram que foi engano

19 0
07.03.2026

Em 88, EUA derrubaram avião de passageiros do Irã e alegaram que foi engano

Em 1988, um avião comercial iraniano foi abatido por mísseis disparados por um navio de guerra dos Estados Unidos, matando as 290 pessoas a bordo.

O episódio ficou conhecido como a tragédia do voo Iran Air 655 e ocorreu em meio às tensões da guerra entre Irã e Iraque.

O voo 655 era operado pela companhia aérea Iran Air. No dia 3 de julho de 1988, a aeronave partiu da capital Teerã com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A rota previa uma escala na cidade de Bandar Abbas, também no Irã.

Daniela LimaO clima no STF é de muita consternação

O clima no STF é de muita consternação

Carla AraújoNovas revelações mantêm STF no centro da crise

Novas revelações mantêm STF no centro da crise

Mariliz Pereira JorgeExpor a intimidade de casal é violência

Mariliz Pereira Jorge

Expor a intimidade de casal é violência

Wálter MaierovitchMoraes deveria se exonerar e deixar toga na cadeira

Moraes deveria se exonerar e deixar toga na cadeira

O avião utilizado na operação era um Airbus A300. Naquela manhã, a aeronave decolou rumo a Dubai com cerca de meia hora de atraso.

Ao todo, havia 290 pessoas a bordo. Desse total, 16 eram tripulantes e 274 passageiros. A maioria dos ocupantes era de nacionalidade iraniana.

O avião foi atingido por dois mísseis disparados por um navio de guerra dos Estados Unidos. Nenhuma das pessoas a bordo sobreviveu.

Presença militar dos EUA

Irã e Iraque travavam uma disputa territorial que havia se transformado em guerra no início da década de 1980. A tragédia com o voo Iran Air 655 ocorreu quando o conflito já se aproximava do fim.

A Revolução Iraniana de 1979 havia derrubado a monarquia no país. Até então, a realeza iraniana mantinha relações próximas com os Estados Unidos. No Iraque, Saddam Hussein consolidava seu poder no mesmo período.

Os dois países passaram a travar um conflito que afetava diretamente a produção e o transporte de petróleo na região. Ataques contra petroleiros no Golfo Pérsico se tornaram comuns durante a guerra.

Diante desse cenário, os Estados Unidos mantinham navios militares na região para garantir a segurança da navegação e proteger rotas estratégicas de transporte de petróleo.

O fim da guerra ocorreu pouco tempo depois. No mês seguinte ao abate do avião iraniano, Irã e Iraque encerraram oficialmente o conflito.

Analistas apontam que o Irã pode ter considerado o risco de uma participação militar direta dos Estados Unidos ao lado do Iraque.

Anos depois, Washington pagou compensações às famílias das vítimas. Na década de 1990, Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo após um longo processo na Corte Internacional de Justiça.

Os norte-americanos aceitaram pagar US$ 61,8 milhões em indenizações e expressaram "profundo pesar" pela tragédia.

No dia do acidente, o navio de guerra norte-americano USS Vincennes perseguia embarcações iranianas na região. Um helicóptero de reconhecimento que havia decolado do navio teria sido atingido por disparos feitos a partir de um bote iraniano.

O capitão do navio ignorou as ordens para alterar sua rota e manteve a perseguição aos barcos, entrando em águas territoriais iranianas. A decolagem do voo Iran Air 655 ocorreu praticamente ao mesmo tempo.

Enquanto o USS Vincennes perseguia o barco iraniano, o Airbus A300 da Iran Air decolava do aeroporto de Bandar Abbas, no sul do país. O local era utilizado tanto por voos comerciais quanto por aeronaves militares. Diante da possibilidade de que a aeronave pudesse representar uma ameaça, os militares norte-americanos passaram a monitorar o alvo nos radares do navio.

Avião confundido com caça

Durante o rastreamento, operadores do sistema de combate do USS Vincennes identificaram a aeronave de forma equivocada. O Airbus A300 da Iran Air foi interpretado como sendo um caça F-14 da Força Aérea do Irã.

O código de identificação transmitido pelo avião estava correto e seguia os padrões da aviação civil internacional. Mesmo assim, a interpretação equivocada persistiu entre os militares responsáveis pelo monitoramento.

Tentativas de contato

Durante cerca de cinco minutos, a tripulação do navio norte-americano tentou estabelecer contato com a aeronave. Ao todo, foram feitas 11 chamadas por rádio.

Sete delas ocorreram em frequências usadas por aviões militares e quatro em frequências destinadas à aviação civil.

Aviões comerciais não possuíam rádios capazes de operar em frequências militares. Por isso, as sete primeiras tentativas não poderiam ser recebidas pela tripulação do avião.

O A300 ainda estava em fase de subida para a altitude de cruzeiro e seguia exatamente a rota prevista em seu plano de voo. Das quatro tentativas realizadas na frequência civil, apenas uma mencionou diretamente o código do voo Iran Air 655.

Sem saber se a mensagem era direcionada à sua aeronave, os pilotos não teriam como responder adequadamente. Diante da ausência de resposta às chamadas, os militares do USS Vincennes decidiram abrir fogo.

Dois mísseis foram disparados contra o avião de passageiros. No momento do ataque, a aeronave voava na rota correta e transmitia os códigos exigidos pela aviação civil. O impacto destruiu o Airbus A300 ainda no ar e nenhuma pessoa sobreviveu ao acidente.

Entre a decolagem e a queda, o voo Iran Air 655 permaneceu no ar por cerca de sete minutos. A duração total prevista da viagem até Dubai seria de aproximadamente meia hora.

As caixas-pretas da aeronave nunca foram recuperadas.

Conclusões da investigação

A investigação apontou uma sequência de erros e interpretações equivocadas. Um relatório independente elaborado pela OACI (Organização da Aviação Civil Internacional), ligada à ONU (Organização das Nações Unidas), analisou o caso.

Segundo o documento, os pilotos do avião provavelmente não perceberam que as tentativas de contato eram direcionadas a eles ou não estavam monitorando a frequência usada nas chamadas.

O relatório também destacou que os navios de guerra norte-americanos não possuíam equipamentos capazes de monitorar as frequências civis de controle de tráfego aéreo.

De acordo com a investigação, os militares do USS Vincennes tomaram a decisão de disparar os mísseis com base nas seguintes informações disponíveis naquele momento:

O voo havia decolado de um aeroporto utilizado por aeronaves civis e militares

Informações de inteligência indicavam que caças F-14 poderiam operar a partir daquele aeródromo

Dificuldades na interpretação dos códigos de identificação da aeronave

Aparição de um alvo não identificado no radar em um momento em que não havia um voo previsto, já que a decolagem havia sofrido atraso

O relatório também apontou os fatores que contribuíram para a identificação equivocada do avião:

O radar passou a indicar que o alvo seria um caça F-14

A ausência de resposta às chamadas de rádio

Falta de detecção de sinais típicos de equipamentos de aviões civis

Informação transmitida por um tripulante de que a aeronave estaria descendo e acelerando, o que poderia sugerir uma manobra de ataque

O avião foi interpretado como se estivesse voando em direção ao navio, quando na realidade seguia outra trajetória

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

Justiça do Rio condena trio por assassinato de advogado perto da OAB-RJ

Presidenciáveis do PSD relativizam peso de pesquisas a 6 meses das eleições

Na sauna gay, chupei 'desconhecido' sem saber que era meu amigo

Guarda Revolucionária desafia Trump a escoltar navios no Estreito de Hormuz

Sudeste e centro-oeste entram em alerta para chuva intensa no fim de semana


© UOL