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O que os anéis das árvores revelam sobre as mudanças climáticas na Amazônia

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17.01.2026

No ano de 2024, a Amazônia sentiu os efeitos de uma das piores estiagens, se não a pior, de sua história. O nível do rio Amazonas atingiu 12,68 metros, o menor índice desde que as medições começaram a ser feitas no porto de Manaus, em 1902. Foi ainda pior que a de 2023, quando as altas temperaturas do Lago Tefé causaram a mortandade de botos.

Impulsionada pela intensificação dos fenômenos El Niño e La Niña, que alteram as temperaturas da superfície dos oceanos e interferem na circulação atmosférica, além do notório desmatamento, estaria a região da bacia hidrográfica do Amazonas secando como um todo?

Com pouca informação de dados disponíveis na região, um grupo de cientistas das universidades de Leeds e Leicester, na Inglaterra, e do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), no Brasil, foi em busca de respostas que as próprias árvores da floresta amazônica poderiam contar.

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Os pesquisadores se debruçaram no estudo da cronologia dos anéis de crescimento, formados anualmente nos troncos das árvores. Conhecido como dendrocronologia, o método — que, além de determinar a idade de uma árvore, pode reconstruir condições climáticas do passado — revelou um problema ainda mais complexo.

O que se nota, segundo os pesquisadores, é a variação extrema da sazonalidade das chuvas nas últimas quatro décadas, bagunçando o ciclo hidrológico com estações chuvosas cada vez mais volumosas e estações secas cada vez mais severas.

"A ideia do nosso artigo vem de uma questão de longa data, que é saber o que está acontecendo com o clima da Amazônia através de um conjunto de dados que tivesse representatividade de larga escala espacial e um bom alcance temporal", diz o biólogo Bruno Cintra, principal autor do estudo.

"Há muito tempo fala-se que ela vai secar e os modelos climáticos, criados na década de 90 e início de 2000, mostravam realmente que a Amazônia seguia nesse caminho. Mas, quando a gente observa como o clima se desenvolveu ao longo dos últimos 40, 50 anos, o que vemos é que não tem um padrão claro de que o bioma está secando como um todo."

O trabalho se baseou nos sinais de isótopos (átomos) de oxigênio marcados em anéis de crescimento das árvores cedro (Cedrela odorata) e arapari (Macrolobium acaciifolium). A proporção desses átomos encontrada na madeira está relacionada à quantidade de chuva que a árvore recebeu. Nesse estudo,........

© UOL