Ex-presidente do BRB mandou apressar operação com Master e maquiar contas
Ex-presidente do BRB mandou apressar operação com Master e maquiar contas
O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa pressionou seu diretor financeiro a apressar compras de carteiras do Banco Master e a manipular as contas do banco público.
As ordens constam em mensagens de WhatsApp extraídas do celular de Paulo Henrique pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero e obtidas pelo UOL.
As conversas são entre o então presidente do BRB e Dário Oswaldo Garcia Júnior, então diretor financeiro do banco. Elas cobrem o período de 19 de novembro de 2024 a 8 de janeiro de 2025.
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Nesse intervalo, o BRB intensificou a compra de carteiras de crédito consignado do Master. A PF apura que ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras adquiridas eram fraudulentas —os créditos, na origem, não existiam.
O Banco Master passava por uma crise de liquidez, ou seja, estava sem dinheiro para pagar investidores. Paulo Henrique é suspeito de ter recebido propina para aprovar os pagamentos ao Master no BRB.
A defesa dos ex-diretores foi procurada pelo UOL, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
As primeiras menções à compra de créditos do Master, em novembro, já deixavam claro que as carteiras não passaram por nenhuma análise prévia por parte do BRB para aferir seu valor de mercado antes de serem compradas.
Após um pagamento de R$ 181 milhões ao Master, por exemplo, em 26 de novembro, Paulo Henrique perguntou: "Essa é a carteira do fundo?"
Garcia responde que, segundo o Master, era "outra carteira", e que "a do fundo tá enrolada" porque "o fundo não é deles".
Paulo Henrique diz, então: "Não entendo quando eles dizem que não há carteira e aparece uma nova." Garcia respondeu: "Nem eu."
"Aumentar o prejuízo"
As mensagens também mostram uma operação para maquiar as contas do BRB e vender outras carteiras de crédito para compensar, no balanço do banco, os efeitos da entrada dos ativos podres do Master.
Isso porque, ao comprar carteiras fraudulentas do Master, o BRB acumulava ativos........
