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Empresa de pagamentos liquidada pelo BC foi parceira do Banco Master

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28.03.2026

Empresa de pagamentos liquidada pelo BC foi parceira do Banco Master

O grupo da Entrepay, empresa liquidada pelo BC (Banco Central) nesta sexta-feira, é parceiro do Banco Master e ajudou a operacionalizar transações consideradas fraudulentas pela Polícia Federal, mostram documentos obtidos pelo UOL.

A Entrepay Instituição de Pagamento S.A. e suas controladas —a Acqio Adquirência e a Octa Sociedade de Crédito Direto— integravam o Grupo Entre, fundado e controlado por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

Um dos fundadores da holding do grupo, chamada Entre Investimentos e Participações, foi Ascendino Madureira Garcia. Conhecido como Dino, é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro central das fraudes do Master.

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A PF suspeita que Freixo Júnior seja a ponte entre o grupo e o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria se beneficiado dessas operações. Tanto Freixo Júnior quanto Ascendino Madureira foram alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, em 14 de janeiro.

O Grupo Entre também fazia parte da operação de mídia montada por Vorcaro, adquirindo recentemente o site da revista Istoé. As empresas do grupo Entre receberam pelo menos R$ 400 milhões do Master nos últimos anos, segundo dados financeiros obtidos pelo UOL.

Procurado, o grupo Entre disse que "os serviços prestados pelo Grupo Entre sempre foram conduzidos de forma regular, dentro dos parâmetros legais e regulatórios, seguindo práticas de compliance, governança e controles compatíveis com o mercado financeiro".

"O processo em trâmite perante a CVM está em andamento, sem decisão do colegiado sobre o mérito da acusação. A Entre e Antônio Freixo reiteram não ter cometido qualquer irregularidade e confiam que essa será a inevitável conclusão da CVM diante dos argumentos e provas oferecidas pela defesa."

O advogado de Ascendino Madureira Garcia disse que o empresário "não praticou, não determinou e não participou de qualquer ato ilícito".

"A associação de seu nome à investigação é indevida e baseada em um grande equívoco. Decorre de erro grave de enquadramento, que será devidamente demonstrado nos autos, e corrigido no curso das investigações, com base em elementos técnicos objetivos e verificáveis."

O esquema do Brazil Realty FII

A Entre Investimentos foi identificada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) como intermediária num esquema envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty FII, que distribuiu prejuízos a fundos de previdência de servidores públicos.

Segundo a investigação, empresas da família Vorcaro compraram cotas do fundo com ativos superavaliados, em vez de dinheiro.

Para converter essas posições em dinheiro de verdade, precisavam vender as cotas no mercado.

A Entre Investimentos atuava como compradora garantida dessas cotas, funcionando como uma espécie de caixa intermediária que absorvia os papéis e os repassava a outros investidores.

Sem ela, não haveria quem comprasse os ativos. Entre novembro de 2018 e março de 2020, a empresa realizou 177 operações de compra e venda de cotas do fundo.

O prejuízo foi dos fundos de previdência de servidores públicos que compraram as cotas ao final da cadeia e não conseguiram revendê-las pelo mesmo valor, aponta a investigação da PF.

Em um dos episódios analisados no inquérito sobre o Master, a Entre comprou em um único dia 43% das cotas de uma empresa da família Vorcaro, gerando para ela um retorno de 22,2% em 24 horas, ganho incompatível com o valor real dos ativos.

Num processo anterior, apurado pela CVM, a Entre transferiu R$ 18 milhões para uma intermediária, que repassou o valor para a Viking Participações, empresa de Vorcaro, então diretor do Banco Máxima.

Em comunicação recente ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), foi identificada outra irregularidade: a Entre Investimentos declarou à Reag Trust, administradora dos fundos em que era cotista, possuir R$ 316 milhões em investimentos.

A posição real era de mais de R$ 2,3 bilhões, distribuídos em seis fundos. Ocultar o volume real de patrimônio dificulta o rastreamento da origem e do destino dos recursos, facilitando lavagem de dinheiro.

A CVM rejeitou seguidas propostas de acordo da empresa para encerrar o processo sancionador, que chegou a R$ 4,5 milhões. O comitê da autarquia estimou o valor mínimo aceitável em R$ 50 milhões. O caso ainda será julgado.

A liquidação foi motivada, segundo o BC, pelo comprometimento da situação econômico-financeira da Entrepay, infração às normas que disciplinam sua atividade e prejuízos que sujeitavam a risco anormal seus credores.

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