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O bloco na rua e pronto: todo mundo atrás do trio prova que não morreu

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15.02.2026

O bloco na rua e pronto: todo mundo atrás do trio prova que não morreu

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É Carnaval e as letras de Caetano Veloso que estão na boca do povo há 60 anos estavam nas ruas da cidade, no "Tarado ni Você', um bloco com mais de 100 mil pessoas, que desfila há 12 anos no centro de São Paulo. O desfile de sábado (14) teve protesto contra o "sequestro" do Carnaval tradicional de rua da cidade — repleta de megablocos com artistas famosos, ficou complicado para os blocos tradicionais se manterem na rua esse ano por falta de patrocínio. Mas teve também aquela explosão de alegria que caminha contra o vento e torna a festa um momento político de resistência. Arte transcende.

Nem é de Caetano, mas a cena combina com aquele verso de Chico Buarque que diz que pela sua lei a gente era obrigado a ser feliz. É assim que se vê uma centena de milhares de rostos pulando e gritando que "se embala, se embora, se embola". O Tarado abre a folia bem na esquina da Ipiranga com a São João, com muito trabalho, suor e cerveja (a Amstel que patrocinou o evento e possibilitou que a folia acontecesse), mas sem chuva. Só um tempo nublado que é bem-vindo por quem se disponibiliza a ficar quatro horas em pé seguindo o trio.

Nas últimas semanas, não foi só o céu que estava nublado, aliás. Os acontecimentos deram uma nublada nas ideias também. Pensei nisso quando vi uma amiga que ia ser destaque em uma escola de samba na madrugada de sábado, e deveria estar se maquiando, mas estava gravando um vídeo meio choroso porque não conseguia parar de pensar na mulher que teve os filhos assassinados pelo pai das crianças. Nem eu consigo. Quem consegue?

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Será que está mais difícil ficar feliz nesses tempos? É Carnaval, eu sei, mas parece que sempre estamos com um pé em cada canoa tentando remar em direção à felicidade — é o que todo mundo busca, certo? —, mas sendo tragados pelo noticiário, pelos grupos de Whatsapp, pelos comentários no elevador do prédio. Outro dia, um amigo me mandou um áudio, eu cliquei em transcrever repetindo um mantra solitário ("que seja uma notícia boa"). Sofrer cansa, rapaz do céu.

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Mas no sábado de Carnaval, quando o dia amanheceu nublado e todo mundo se vestia e tomava um café da manhã reforçado, era Caetano quem voltava a cantar "Você tenha ou não tenha medo/ Nego, nega, o carnaval chegou/ Mais cedo ou mais tarde acabo/ De cabo a rabo com essa transação de pavor". Atrás do trio elétrico, essa invenção baiana, assim como o próprio Caetano, só não vai quem já morreu. Aqui, 2 mil km ao sul de Salvador, a massa sorri como pode ao lembrar que a invenção pode ser do diabo, mas foi Deus quem abençoou. "Voltar ao Brasil por um atalho: ser feliz, o melhor lugar é ser feliz."

Um pé em cada canoa, querendo o sol abrir, o coração em frangalhos obedecendo a lei de se obrigar a ser feliz. Carnaval é contraste e extremos: "O sol é seu, o som é meu/ Quero morrer, quero morrer já/ O som é seu, o sol é meu/ Quero viver, quero viver lá". Viver e morrer, quando o trio elétrico o sol rompeu no meio dia, "Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder", e deixo que "minha mão errante adentre atrás, na frente, em cima, embaixo, entre". Cinema Transcendental, o disco tema do desfile, tem um verso para cada sentir. "Todo prazer provém do corpo".

Quando for terça-feira, saberemos que o melhor o tempo esconde longe, muito longe, mas bem dentro aqui. Carnaval é trabalho. É resistência da alegria. É assim que a gente atravessa o resto todo. Existirmos, eu tendo a achar que é a isso que se destina. Agora é tarde, felicidade vem.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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