Flávio, Lula e o que as pesquisas não captaram no 1º turno
Feed virou palanque do bolsonarismo. Lulismo ainda procura o microfone
O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 não caiu do céu nem foi um raio em dia de sol. O placar de 47% para Flávio Bolsonaro contra 45% para Lula só pegou de surpresa quem ainda insiste em analisar a disputa política brasileira com a cartilha analógica do século 20. Enquanto a cúpula do lulismo continuam tratando a comunicação como um release de divulgação de obras para convencer o eleitor que ele deveria ser grato, a extrema direita consolidou um império digital que pauta, molda e dita o ritmo da realidade de dezenas de milhões de brasileiros todos os dias.
A pesquisa apontou 47% para Flávio e 43% para Lula (com margem de 2,4 pontos). Ao mapear o humor de grupos de WhatsApp a partir de amostragens demograficamente equilibradas, a ferramenta pode ter captado um pulso subterrâneo que metodologias tradicionais demoram a enxergar.
Nesse ecossistema descentralizado, o jornalismo profissional deixou de ser o protagonista na mediação do debate público para se tornar, na melhor das hipóteses, um coadjuvante tardio. A extrema direita compreendeu isso há anos. Sem intermediários, ela bombardeia o cidadão diariamente contra as instituições e o Estado e, o que é mais grave, no sentido de reconstruir, à sua imagem e semelhança, o sentido e a identidade do país.
Matheus PichonelliFlávio vira favorito fazendo caminho distinto do........
