Mesmo quando o HIV parece 'zerado', ele aumenta o risco de demência
Mesmo quando o HIV parece 'zerado', ele aumenta o risco de demência
Quando as diretrizes para redução do risco de demências na população foram atualizadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em 15 de julho, aproveitou-se para reforçar a seguinte mensagem: pessoas com HIV devem seguir com disciplina o tratamento para controlar a infecção. Também devem ficar ainda mais atentas àquilo que aumenta essa ameaça, mas que é modificável, como excesso de peso, sedentarismo, pressão alta, sono de má qualidade, tabagismo e outros comportamentos ou condições capazes de comprometer o cérebro.
Cérebro, diga-se, que é endereço fixo desse vírus. Ali, o HIV encontra segurança. Por mais que as drogas antirretrovirais já tenham conseguido despejá-lo de outros cantos do corpo, elas não penetram com facilidade o que os médicos chamam de barreira hematoencefálica, fronteira que controla o acesso ao território sagrado dos neurônios, impedindo a entrada do que poderia prejudicá-los. Podemos incluir na lista dos barrados aqueles medicamentos potencialmente tóxicos, como seria o caso. Mas, por ironia, o próprio HIV tem passe livre.
"Mal invade o organismo, ele sempre vai parar no sistema nervoso central e, uma vez nele, cria uma população residente", explica o médico Augusto Penalva, supervisor da neurologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, hospital que é referência em HIV-Aids.
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No início dos anos 1980, o neurologista investigava um outro campo, o do processamento da linguagem no cérebro, quando surgiram os primeiros pacientes com HIV. Instigado pela demência que essa infecção causava, ele até mudou o tema de sua tese de doutorado na época. De lá para cá, vem se dedicando a isso. "Para ver como o assunto é do século passado!", brinca.
Será, então, que a OMS e outras instituições........
