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PIB cresce em 2025, fica estagnado no 2º semestre e avançará menos em 2026

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03.03.2026

PIB cresce em 2025, fica estagnado no 2º semestre e avançará menos em 2026

O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, conforme divulgou o IBGE nesta terça-feira (3). O resultado positivo expressa desaceleração em relação ao crescimento de 3,4% em 2024. Em ritmo menor, a atividade econômica continuou em expansão no ano passado.

Desta vez, os analistas erraram menos. De acordo com números divulgados pelo Boletim Focus, que reúne projeções de especialistas concentrados no mercado financeiro, a mediana das previsões no início de 2026 apontava crescimento econômico de 2%.

As estimativas chegaram a 2,2% no meio do ano, recuaram para 2,1% depois de julho e só se aproximaram do número real em dezembro. Destaque para as projeções da SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda, que apontavam alta de 2,3% para o PIB desde fevereiro.

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PIB crescerá ainda menos em 2026

Para 2026, as previsões do mercado são de mais um ano de crescimento da economia, mas em ritmo menor do que em 2025. As projeções sinalizam alta do PIB entre 1,5% e 2%. O governo, nas estimativas da SPE, aposta em expansão de 2,3%, repetindo 2025.Na avaliação da SPE, a economia crescerá em torno de 1% no primeiro trimestre de 2026, reduzindo a marcha nos demais trimestres do ano. Efeitos de programas de governo, em especial a isenção de Imposto de Renda até 5 salários mínimos, justificaria a expansão forte prevista para o começo do ano.

Nos três primeiros anos do terceiro mandato de Lula, a economia acumula crescimento de 9,2%, com média anual de 3%. Se a expansão em 2026 for de 1,8%, o PIB no período do atual governo terá avançado mais de 11%, com expansão anual um pouco acima de 2,5%.

A história da evolução do PIB em 2025 registra uma repetição, em ponto menor, do ocorrido em 2024. Também no ano passado o crescimento se concentrou no primeiro semestre, com forte redução de marcha na segunda metade do ano. De julho a dezembro, a atividade ficou praticamente estagnada.

Com a desaceleração no fim do ano, o carregamento estatístico do PIB de 2025 para 2026 seja baixo, calculado em 0,4%. Se não houver crescimento neste ano, a economia ainda avançaria 0,4% pelo transbordamento da atividade no fim de 2025.

Em 2024, quando o PIB registrou expansão de 3,4%, também com redução do ritmo de crescimento no fim do ano, o carregamento estatístico para 2025 foi estimado em 1,1%.

Política de juros versus política fiscal

O roteiro da desaceleração da economia, ainda que permanecendo em terreno positivo, é o da disputa entre a política de juros contracionista, mantendo taxas altas para conter a inflação, e a política fiscal expansionista, de olho na injeção de recursos na atividade por meio de programas sociais e incentivos setoriais.

Essa falta de sintonia promove ineficiências nas duas políticas, obrigando ao recurso de doses maiores — de juros, de um lado, e de incentivos oficiais, de outro — para que surtam efeito.

As expectativas são de que, em 2026, a agropecuária não repita o desempenho dos anos anteriores. Ainda assim, projeções apontam alta setorial de 3,5%. Longe do avanço de dois dígitos de exercícios anteriores, continuará contribuindo para que o PIB se mantenha em crescimento.

O desempenho da agropecuária explica o desequilíbrio no ritmo de crescimento entre os dois semestres de 2025. Com safras e comercialização concentradas no primeiro semestre, o setor puxou o PIB para cima, com fortíssimo crescimento de 11,7% no ano.

Indústria e serviços, os demais grandes setores, também avançaram no ano passado, mas em ponto bem menor. A indústria cresceu 1,4% no passo, com destaque para o segmento extrativo, sobretudo petróleo e gás.

Serviços, o setor que responde por três quartos do PIB, cresceu 1,8%. O segmento que mais se expandiu foi o de informação e comunicação, com avanço de 6,5% em 2025. Atividades financeiras vieram em seguida, com alta de 2,9%.

Juros inibem investimento

Sob a ótica da despesa, o consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, mas com forte desaceleração em relação à alta de 5,1% em 2024. No último trimestre do ano passado, o consumo das famílias ficou estagnado. Previsões são de crescimento moderado, em torno de 2%, em 2026.

O investimento, representado pela formação bruta de capital fixo, viveu no ano passado em uma gangorra entre altos e baixos. O crescimento de 2,9% em 2025 mostra queda forte de ritmo na comparação com 2024, quando avançou 6,9%. Depois de alta de 3,1% no primeiro trimestre, recuou 2,5% no segundo, ficou estável no terceiro e caiu 3,5% no último trimestre do ano.

Com esse vaivém, a taxa de investimento manteve-se em níveis baixos também em 2026. Depois de alcançar 18% do PIB em 2022, na retomada pós-crise da pandemia, a taxa de investimento não conseguiu chegar a 17% do PIB nos três anos iniciais do atual governo Lula.

Assim como o consumo das famílias, a taxa de investimento foi negativamente afetada em 2025 pelas altas taxas reais de juros. Além de não permitir prever aumentos da capacidade produtiva da economia, o nível em que permanece a taxa de investimento tem sido insuficiente até mesmo para repor investimentos já feitos.

Juros elevados explicam parte importante da desaceleração experimentada pela atividade em 2025 e, previsivelmente, em 2026. De acordo com a SPE, os juros altos explicam a desaceleração mais acentuada dos setores cíclicos da economia — indústria de transformação, comércio, construção civil etc. — em relação aos não cíclicos — serviços financeiros e de administração pública, entre outros. Os setores cíclicos cresceram 1,5% em 2025 contra expansão de 4% em 2024.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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