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Ato na Paulista mostra que chance de a direita vencer Lula é cada vez maior

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04.03.2026

Ato na Paulista mostra que chance de a direita vencer Lula é cada vez maior

Na avaliação de boa parte da mídia tradicional e das esquerdas, a manifestação do movimento Acorda Brasil, realizada no domingo na avenida Paulista, em São Paulo, foi um "ato bolsonarista", "flopou" e mostrou a "divisão da direita".

É sempre assim: qualquer manifestação realizada pela direita e pela centro-direita é logo classificada como "bolsonarista", para colocar em xeque sua legitimidade e seu apelo popular. Para as esquerdas e para muitos analistas, que veem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como uma espécie de Belzebu e seus apoiadores como um bando de "fascistas" e "golpistas", não há nada pior do que chamar alguma coisa ou alguém de "bolsonarista". Parafraseando o grande Nelson Rodrigues, "hoje o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe, mas não o chamem de bolsonarista (reacionário, no original)".

Sempre que possível, as fotos dos atos mostram um gaiato isolado segurando um cartaz em defesa de uma "intervenção militar", para passar a falsa mensagem de que só tinha "golpista" ali. Ou então um clarão no meio da multidão, para dar a ideia de que havia menos participantes do que o esperado pelos organizadores. É rara a divulgação de fotos pela imprensa que mostrem de cima toda a extensão das manifestações promovidas pela direita. Dificilmente isso acontece quando os atos são promovidos pelas esquerdas.

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Além disso, se der, mesmo que seja preciso forçar a barra, nada como apontar uma suposta "divisão" no grupo, para minimizar o caráter ecumênico do ato, o potencial eleitoral da direita e sua representatividade política. É uma forma de tentar evitar que uma percepção positiva sobre as possibilidades da oposição nas eleições de 2026 se cristalize e acabe turbinando suas candidaturas na preferência da população. Como diz uma máxima do folclore eleitoral do país, "ninguém gosta de votar em candidato perdedor".

Mas, ao contrário do que diz a narrativa que prosperou por aí, o que se viu na Paulista foi algo bem diferente —e qualquer analista independente teria a mesma percepção. Ainda que as estimativas de público feitas pelas organizações ouvidas pela imprensa estejam corretas, de cerca de 20 mil pessoas presentes na avenida —um número que muitos participantes contestam e que parece não bater com algumas imagens do evento— a manifestação ficou longe de ser um fiasco.

É certo, segundo os mesmos institutos que realizaram as estimativas de público do ato de domingo na Paulista, que o total de participantes agora foi equivalente à metade do número de pessoas que compareceram à manifestação realizada pela direita em setembro de 2025, pouco depois da prisão domiciliar de Bolsonaro.

Foi o dobro, porém, do contingente reunido na avenida em junho de 2024, para pedir anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. E, pelo que se sabe, todos foram lá por conta própria, sem ônibus fretados para levá-los e sem receber o chamado "vale-mortadela", para fazer um lanche "na faixa", como costuma acontecer em manifestações das esquerdas apoiadas por entidades sindicais e outras organizações ligadas ao grupo.

É preciso considerar ainda que, embora os ventos tenham mudado nos últimos meses com os escândalos do banco Master e das fraudes contra os aposentados do INSS, muitas pessoas ainda têm medo de participar de atos com críticas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), como era o caso da manifestação na Paulista, por mais absurdo que isso possa parecer para quem acredita estar vivendo num país democrático. Apesar de ela ter incorporado a defesa da anistia e da derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria, que reduz as penas dos presos pelos atos de 8 de Janeiro, a palavra de ordem era "Fora Lula, Moraes e Toffoli".

Diante da sanha punitiva do Supremo contra qualquer cidadão que faça críticas públicas à instituição e a seus integrantes, inclusive deputados e senadores protegidos pela imunidade parlamentar, em desrespeito flagrante à liberdade de expressão prevista na Constituição, a autocensura se tornou uma realidade no país, apesar de muita gente de fora das fileiras lulopetistas ainda acreditar que o Brasil vive hoje em "plena democracia".

Ao contrário também do que se falou por aí, o ato na Paulista foi muito além da bolha bolsonarista. Mesmo que se leve em conta que o Acorda Brasil foi criado pelo deputado Nikolas Ferreira, do PL, o partido do ex-presidente, e que a manifestação teve entre seus destaques o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda ao Planalto, e seu irmão Eduardo, que fez um pronunciamento por meio de videochamada dos Estados Unidos, onde buscou abrigo para escapar da perseguição do ministro Alexandre de Moraes.

Ao reunir no mesmo palco o governador de Minas, Romeu Zema, do Novo, e o de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD, ambos pré-candidatos à Presidência, e possíveis concorrentes de Flávio no primeiro turno das eleições, além do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, o ato na Paulista foi uma demonstração de união —e não de divisão— das forças da direita e da centro-direita contra Lula.

A organização da manifestação, por sua vez, ficou a cargo do deputado estadual Tomé Abduch, do Republicanos e do movimento Nas Ruas, ampliando o leque partidário das lideranças que participaram do evento, que também atraiu muitos participantes que não são bolsonaristas raiz, mas se opõem à volta da bandalheira e a tudo isso que está aí.

Tudo indica, pelo andar da carruagem, que qualquer um dos nomes da oposição que se habilite a disputar o segundo turno contra Lula terá o apoio dos demais, provavelmente com o respaldo de seus respectivos partidos. É verdade que nem sempre os eleitores seguem os rumos dos caciques partidários, mas não deixa de ser uma boa notícia para a direita e a centro-direita que elas possam caminhar juntas no segundo turno, mesmo que sigam em raia própria no primeiro turno, em nome do objetivo maior de derrotar Lula, o PT e seus aliados.

Nem as ausências do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também do Republicanos, e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL, que deverá disputar uma vaga no Senado, colocam em xeque a união demonstrada no ato da Paulista. Apesar de alguns analistas terem apontado a ausência de Tarcísio como um sinal de divergências no grupo, ele estava em viagem pré-agendada à Alemanha, para compromissos relacionados à área de tecnologia, e já declarou e reiterou seu apoio a Flávio. Nada indica até o momento que resolveu dar um cavalo de pau na sua escolha.

Se quisesse seguir voo solo, Tarcísio provavelmente teria insistido em sua candidatura à Presidência, em vez de ter optado por buscar a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Apoio, com certeza, não iria lhe faltar, em especial no campo do chamado "centro democrático" e na Faria Lima.

No caso de Michelle, até houve atritos, conforme o noticiário, com os filhos de Bolsonaro, em especial com Eduardo. Pelo que se falou, ela preferiria que Tarcísio fosse o candidato apoiado pelo ex-presidente e não Flávio, o que teria gerado conflitos na família e levado Michelle a não participar do ato. Mas não é nada que ameace a grande aliança das direitas que está em gestação. E, com a campanha ganhando tração e Flávio subindo nas pesquisas, parece improvável que ela não embarque no bonde e participe de outras manifestações da oposição daqui para a frente.

No campo da direita e da centro-direita, talvez só o partido Missão, criado em 2025 por Renan Santos, um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), que é pré-candidato de si mesmo ao Planalto pela legenda, da qual é também o presidente, parece empenhado em atuar de forma isolada para marcar posição, longe do frentão que está se formando contra Lula. Só que, como ele aparece com apenas 2% das preferências nas sondagens eleitorais, seus movimentos não deverão alterar de forma significativa o quadro que se desenha.

É um engano, por tudo isso, acreditar que o ato da Paulista foi um fracasso e expôs a fraqueza da direita e da centro-direita na disputa eleitoral contra Lula. Como mostram as pesquisas, a possibilidade de as direitas defenestrarem Lula no pleito de outubro parece cada vez maior —e isso não é apenas "wishful thinking" de integrantes do grupo. Como afirma o presidente, a "guerra" deverá ser feroz, e mesmo com a caneta na mão e com sua tarimba em eleições não há nada garantido para ele no momento.

Por mais que as esquerdas propaguem a narrativa de que as direitas estão rachadas, seja por autonegação, seja por interesse eleitoral mesmo, elas estão mostrando que têm uma estratégia bem estruturada e convergente, com chances reais de vitória nas urnas. Quem não entender isso, nem aceitar que as direitas representam de forma legítima uma parcela considerável dos eleitores, talvez mais da metade do total, provavelmente terá dificuldades para acompanhar a dinâmica política que se insinua para o pleito de 2026.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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Mario Gandra Perelman

JOSÉ FUCS.NUMA CIDADE DE MAIS DE 10 MILHÕES DE ELEITORES, 20.000 OU QUE SEJA MAIS VC. CONSIDERAS APOIO? CARA.ACORDA.A PRÓXIMA ELEIÇÃO DARÁ LULA NA CABEÇA.OS CANDIDATOS DA DIREITA, INCLUINO AÍ O 01,SÃO TODOS "MANJADOS" POLITICAMENTE

Comentarista que faz propaganda para a extrema direita

Rodrigo Otávio dos Santos

Como morador de Curitiba posso afirmar: se escreve na Gazeta do Povo, não deve ser lido. Infelizmente eu só percebi isso lá pela metade do texto, perdendo meu tempo.

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